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Festival de Cinema de Toronto começa com ativismo político em alta
O Festival Internacional de Cinema de Toronto começou na quinta-feira (10) com a presença de inúmeras estrelas na cidade canadense e uma programação que abrangeu desde o ativismo político até o esporte.
A primeira noite do maior festival de cinema da América do Norte teve início com a estreia de "A Arte de Ser Heumann", o drama da Apple TV protagonizado por Ruth Madeley, que retrata a tenaz luta da ativista americana Judy Heumann pelos direitos das pessoas com deficiência na década de 1970.
"Este filme aborda o que acontece quando as pessoas se recusam a ser invisíveis", disse a cineasta vencedora do Oscar Sian Heder ("No Ritmo do Coração"), ao apresentar sua produção no teatro Princess of Wales.
"Acho que vivemos uma época em que muitos grupos de pessoas estão ficando para trás (...) Há tantas batalhas em tantas frentes, e é difícil saber como e onde lutar, mas a ação coletiva importa", acrescentou a diretora.
No tapete vermelho, Heder disse à AFP que parte de sua motivação para trabalhar na obra cinematográfica foi o contexto atual nos Estados Unidos.
"É como se estivéssemos retrocedendo em um ritmo simplesmente alucinante nos direitos pelos quais lutamos na década de 1970. Por isso, é o momento perfeito para este filme", comentou.
O diretor executivo do festival, Cameron Bailey, abriu a 51ª edição com uma referência bem-humorada às tensões políticas entre Canadá e Estados Unidos.
Bailey arrancou aplausos da plateia ao mencionar o Lago Ontário, compartilhado pelos dois países, e que o presidente Donald Trump rebatizou, em seu lado do mapa, como Lago América.
Da mesma forma, enfatizou o peso da indústria cinematográfica canadense, em um momento em que Trump defende um cinema feito nos Estados Unidos.
- Programação variada -
Centenas de milhares de cinéfilos se reuniram em Toronto para acompanhar a programação com 293 filmes.
A quinta-feira também foi marcada pela participação de Naomi Watts e Luke Evans na estreia do drama histórico "The Housewife", a chegada da ex-jogadora de futebol Megan Rapinoe para apresentar seu documentário "Rapinoe", assim como a presença de Jodie Comer e Harry Melling, coestrelas do terror "Stuffed".
Nos próximos dias, é esperado o desembarque de estrelas como John Malkovich, Penélope Cruz, Tom Hiddleston e o fenômeno do K-pop Lisa.
Histórias de superação e vencedores inesperados estão no centro da programação do festival, onde será lançado "Eu Sou o Rocky".
Dirigido pelo vencedor do Oscar Peter Farrelly ("Green Book: O Guia"), o longa-metragem conta a história improvável de como um então pouco conhecido Sylvester Stallone enfrentou Hollywood para levar às telonas o filme que mudaria sua vida, tendo ele próprio como protagonista.
Outra produção biográfica que estreará no festival é "Villeneuve: The Rise of a Legend", que narra a ascensão do astro do automobilismo Gilles Villeneuve de seu começo humilde em Quebec até o topo da Fórmula 1.
Lisa, estrela do K-pop que ganhou fama com o grupo BLACKPINK, lançará seu íntimo documentário "Always Lalisa", dirigido por Sue Kim.
O comediante e ator americano Chris Rock chega com "Misty Green", a sátira sobre Hollywood que marca seu retorno como diretor, e na qual Rosalind Eleazar interpreta uma atriz decadente que busca uma segunda chance. O longa tem Adam Driver, Daniel Kaluuya, Anna Kendrick, Topher Grace e o próprio Rock como parte do elenco.
Helen Mirren aterrissará, por sua vez, no thriller psicológico "A Talent for Murder", no papel da escritora Patricia Highsmith, dirigido pelo também fotógrafo Anton Corbijn.
Zack Snyder, diretor de "300" e "Watchmen", apresentará seu "The Last Photograph", que mistura drama e ação em uma missão em uma floresta da América do Sul.
A programação também tem destaques como "Cavalo Selvagem Nove", sobre dois agentes da CIA na Ilha de Páscoa durante a tensa reta final do governo de Salvador Allende no Chile.
O Festival Internacional de Toronto acontece até 20 de setembro.
A.Taylor--AT