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Retórica anti-imigrante recrudesce nos Estados Unidos
A retórica anti-imigrante dos conservadores americanos se endurece, em meio aos comícios incendiários de Donald Trump, aos desafios de governadores ao presidente Joe Biden e a uma caravana de supostos patriotas que avança para cidades na fronteira com o México.
Os republicanos acusam o presidente Biden de seguir uma política de "fronteiras abertas", com cerca de 10.000 migrantes interceptados diariamente em dezembro passado. Os mais radicais falam em "invasão".
Os democratas negam, alegando que deportaram cerca de 460.000 pessoas em pouco mais de sete meses, até o final de dezembro, porque não reuniam as condições para entrar.
Suas explicações são ignoradas pelos conservadores.
Favorito para ser o candidato do Partido Republicano na disputa presidencial deste ano, insiste na mesma ideia a cada comício: Biden é fraco e abriu a fronteira de uma ponta à outra.
O magnata promete "a maior deportação interna da história dos Estados Unidos", se voltar à Casa Branca, porque os migrantes "envenenam o sangue do país". Esses comentários valeram a Trump comparações com Hitler.
Com essa mensagem, ele espera convencer o eleitor republicano, para quem a crise migratória tem precedência sobre a economia, segundo pesquisas. Mas pode assustar os mais moderados e os independentes.
Por enquanto, conta com o apoio de boa parte do partido. Os mais leais trabalham para dificultar o caminho de Biden para a reeleição.
Para começar, sujeitaram a aprovação da ajuda à Ucrânia no Congresso a um endurecimento da política migratória. Biden cedeu, pedindo a um grupo de congressistas que negocie um acordo bipartidário, mas o presidente da Câmara de Representantes, o republicano Mike Johnson, advertiu que o texto não sobreviverá à votação, "se os rumores sobre o conteúdo" forem verdadeiros.
As conversas acontecem em meio a um grande sigilo.
"O texto desse suposto acordo não foi compartilhado com praticamente ninguém", disse o congressista democrata Greg Casar, em entrevista coletiva por telefone na quinta-feira.
O pouco que se sabe foi revelado por Biden, que disse que concederá "uma nova autoridade de emergência para fechar a fronteira quando estiver em colapso".
- Desafio republicano -
Trump também pode contar com outro aliado, o governador do Texas, Greg Abbott, que colocou arame farpado na fronteira, transportou migrantes de ônibus para cidades governadas pelos democratas e, segundo o governo Biden, impediu o acesso de agentes federais a alguns setores.
Além disso, desafiou uma decisão da Suprema Corte americana que permite retirar o arame farpado instalado para dissuadir a travessia de migrantes - em sua maioria, latino-americanos pobres, ou que fogem da insegurança em seu país de origem.
E não está sozinho. Vinte e cinco governadores republicanos expressaram solidariedade a ele.
Imagens de migrantes atravessando a fronteira, ou abandonados à própria sorte, dormindo nas ruas de cidades lotadas, inundam as redes sociais.
Em um país muito polarizado desde o ataque ao Capitólio em janeiro de 2021 por simpatizantes de Trump, a situação é explosiva.
"A generalização do ódio contra os migrantes está motivando alguns dos elementos mais perigosos da nossa sociedade, os supremacistas brancos, os neonazistas e os extremistas antigoverno, e não ajuda que o governador do Texas (...) enfrente o governo federal de maneiras que lembram a Guerra Civil", declarou Heidi Beirich, cofundadora do Projeto Global Contra o Ódio e o Extremismo, em entrevista coletiva por telefone.
- "Agenda de ódio" -
Para Devin Burghart, presidente do Instituto de Pesquisa e Educação em Direitos Humanos, "o confronto entre o Texas e o governo federal se tornou um ímã para a vigilância das ruas da extrema direita".
Ele não vê com bons olhos a caravana "Recuperar nossa fronteira", que planeja, para este sábado, manifestações em cidades fronteiriças.
Os organizadores, que se autodenominam Nós o Povo, instam membros ativos e reformados das forças de segurança, veteranos (de guerra), funcionários públicos, empresários, fazendeiros, caminhoneiros, motociclistas, imprensa e "cumpridores da lei" a se juntarem a eles para protestar "pacificamente".
Uma iniciativa que levou a Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos (LULAC, na sigla em inglês) a emitir um alerta nacional. Trata-se do segundo em seus quase 100 anos de vida.
"A retórica política falsa e incitante do governador Greg Abbott está motivando as pessoas a cometerem possíveis atos de violência e assassinatos em massa", disse o presidente da LULAC, Domingo García, em um comunicado, no qual pediu "que se esteja alerta ante os extremistas armados de fora do Estado com um agenda do ódio".
R.Garcia--AT