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Troféu da Copa do Mundo visita Chichén Itzá, berço do jogo de bola maia
Duas figuras unidas, erguendo o mundo, fundidas em seis quilos de ouro maciço. O troféu da Copa do Mundo foi apresentado nesta sexta-feira (20) no complexo arqueológico maia de Chichén Itzá, como parte de sua turnê de preparação para o início do torneio.
Confeccionado em ouro de 18 quilates, o troféu foi transportado sob rigorosas medidas de segurança até Chichén Itzá, uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, durante um tour promocional que já visitou oito cidades em todo o México.
A turnê continuará até meados de abril, visitando mais uma dúzia de cidades nos Estados Unidos e no Canadá — os países que, juntamente com o México, sediarão a Copa do Mundo de 11 de junho a 19 de julho.
"Este símbolo que está bem atrás de mim é grandioso para o México", e esta "é uma imagem que dará a volta ao mundo", declarou o ex-jogador mexicano Hugo Sánchez antes de revelar o troféu diante do Templo del Castillo, a principal pirâmide escalonada do renomado complexo maia.
- Descida da serpente emplumada -
No equinócio de primavera, Chichén Itzá atrai uma multidão para testemunhar a "descida de Kukulcán", a serpente emplumada.
Nesta época do ano, ao pôr do sol, a luz projeta sombras sobre a escadaria da grande pirâmide que parecem fazer essa divindade maia descer dos céus à terra.
Também se encontra aqui a maior quadra do mundo para o ancestral jogo de bola maia, um ritual religioso que se originou nesta região por volta de 900 a.C. e serviu como predecessor cultural de esportes coletivos modernos, como o futebol, com o qual, no entanto, não compartilha nenhum vínculo direto.
- Mundial de jogo de bola -
Vestindo o tradicional tecido que cobre a pélvis, duas equipes de quatro jogadores se enfrentam pelo controle de uma pesada bola de borracha em uma quadra escavada no solo, um espaço que representa o inframundo.
Eles golpeiam a bola unicamente com as coxas ou os quadris, sem utilizar as mãos ou os pés.
Após trocarem alguns passes rasteiros enquanto estão sentados, um dos jogadores arranca em disparada, freia bruscamente e avança com precisão para desferir um golpe seco e potente na esfera.
A bola alça voo a três metros de altura, visando atravessar o estreito aro vertical posicionado no centro da quadra.
"É o lance de mestre com o qual uma equipe pode se sagrar campeã, mesmo que esteja perdendo por 50 pontos durante uma final da Copa do Mundo de jogo de bola maia", explica Ángel Jesús Be Chi à AFP. Ele é o capitão da equipe mexicana Mayawayak, que venceu a competição em 2023.
O torneio é realizado a cada dois anos desde 2015. Atualmente, participam sete países (México, Estados Unidos, Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador e Panamá) e Be Chi gostaria de ver seu esporte receber reconhecimento oficial por parte das autoridades mexicanas.
"Assim como apoiam o futebol e outros esportes, queremos que nos apoiem para que possamos ir representar o México", pede este enfermeiro de 26 anos, enquanto treina uma equipe feminina em San Pedro Chimay, uma pequena cidade situada 125 quilômetros a oeste de Chichén Itzá.
A bola pesa quase três quilos. "No começo, acertá-la dói muito", admite Melissa Chan, de 14 anos, que joga há cinco meses. "É como uma batida de quadril da Shakira", brinca Ángel.
- Paralelo com o futebol -
O jogo foi modernizado com elementos como a inclusão de mulheres, explica José de Jesús Manrique, presidente da federação internacional do jogo de bola maia.
Foi ele quem, em 2007, formou a primeira equipe no local para reviver um jogo que havia sido esquecido por 450 anos, desde que os conquistadores espanhóis o aboliram no século XVI devido ao seu simbolismo social e político.
"Queremos revitalizar o nosso jogo sem perder a sua essência", explica esse pioneiro, que organiza uma partida de exibição todas as sextas-feiras em frente à catedral de Mérida, capital da região de Yucatán, no México.
Assim, "não aceitaremos que a bola seja chutada, pois, para nós, a bola é sagrada", enfatiza ele.
Outros aspectos o aproximam do futebol, diz à AFP Abimael Josué Cú, arqueólogo e administrador do sítio arqueológico de Chichén Itzá.
"De fato, é possível notar uma espécie de paralelo", inclusive com jogos "que celebravam um grande evento político (...) como a ascensão de um governante ao trono", afirma ele, enquanto o troféu da Fifa deixa o local para prosseguir sua jornada.
O.Brown--AT