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Ex-primeira-dama de Honduras diz que marido, acusado de narcotráfico nos EUA, está 'indefeso'
A esposa do ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, que vai enfrentar, em 5 de fevereiro, um julgamento em Nova York, acusado de narcotráfico, denunciou, nesta sexta-feira (19), que sua família tem recebido "ameaças de morte" e que seu marido está "indefeso".
"Tenho medo de que algo possa acontecer ao meu esposo, que está em uma prisão estrangeira. Ele está entre a indefensibilidade e as ameaças de morte à nossa família", denunciou Ana García, ao lado das filhas, Daniela e Isabela, ao ler uma declaração à imprensa em sua residência em Tegucigalpa.
García assegurou que seu marido denunciou esta situação em uma audiência preparatória do julgamento na quinta-feira em Nova York. Ele pediu ao juiz a troca do advogado Raymond Colon, que esteve "doente" e descumpriu compromissos relacionados com a defesa.
O juiz da Corte do Distrito Sul de Nova York, Kevin Castel, indeferiu o pedido de Hernández, argumentando que não há mais tempo, pois o julgamento vai acontecer daqui a apenas duas semanas.
García explicou que Hernández também disse na audiência que quem lhe recomendou Colon para defendê-lo foi o rabino Jorge Bar-Levy que, segundo ela, havia dito publicamente em uma ocasião que conseguiu "infiltrar a defesa por instruções da DEA", agência antidrogas dos Estados Unidos.
Ela afirmou, ainda, que seu marido informou o juiz Castel sobre "ameaças de morte e sequestro" contra seus familiares. "Tenho medo, temo por minha vida e a da minha família", acrescentou a mulher, ao acusar "uma organização criminosa" que não identificou.
Hernández será julgado juntamente com o ex-chefe de Polícia de Honduras Juan Carlos "El Tigre" Bonilla e Mauricio Hernández, policial e primo do ex-presidente.
"Antecipamos que dadas estas circunstâncias não terá um julgamento justo", insistiu García.
O ex-presidente, de 55 anos, que governou em dois mandatos de 2014 a janeiro de 2022, foi extraditado para Nova York em abril de 2022, acusado de enviar pelo menos 500 toneladas de cocaína aos Estados Unidos, entre 2004 e 2022.
Se for considerado culpado, ele pode ser condenado à prisão perpétua, como aconteceu em 2021 com seu irmão, Juan Antonio "Tony" Hernández.
Assim como o ex-presidente Porfirio Lobo (2010-2014), Juan Orlando Hernández também é acusado em Honduras de fazer parte de uma rede de corrupção quando presidia o Congresso.
Ch.P.Lewis--AT