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Antes do G20, Lula defende 'voz das ruas' sobre 'voz dos mercados'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste sábado (16), a prevalência da “voz das ruas” sobre “a voz dos mercados”, diante de centenas de ativistas de esquerda reunidos a dois dias da cúpula do G20 no Rio de Janeiro.
Lula receberá na segunda e terça-feira os líderes das maiores economias mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o chinês, Xi Jinping.
A cúpula do principal fórum internacional de cooperação econômica ocorre em um momento de alta tensão geopolítica, com os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.
No encerramento do evento paralelo G20 Social, o ex-sindicalista de 79 anos instou a sociedade civil a "gritar" e "protestar" caso os líderes não cumpram os compromissos assumidos no G20 ou em qualquer fórum internacional.
“A gente pode fazer a diferença, mas se a gente enquanto dirigente não assumir, vocês é que tem que fazer a diferença. Gritem, protestem, reivindiquem, porque senão as coisas não acontecem”, declarou.
Em um enérgico discurso, o petista ressaltou que o “neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e política que hoje assola as democracias”.
“É preciso romper com a dissonância cada vez maior entre a voz dos mercados e a voz das ruas”, defendeu, a dois dias de receber, entre outros chefes de Estado, o argentino Javier Milei, um ultraliberal e grande aliado do americano Donald Trump.
Desde quinta-feira, milhares de indígenas, trabalhadores rurais, jovens de favelas, estudantes e ativistas LGBTQ+ participaram de grandes assembleias em hangares próximos ao porto do Rio, na região central da cidade.
No sábado, entregaram a Lula um documento com suas demandas para o G20, cujos Estados-membros representam 85% do PIB global e três quartos do comércio mundial.
No texto, urgem as lideranças do mundo a assumirem "compromissos ambiciosos" e "agir com determinação" para acabar com a fome e salvar o planeta frente ao aquecimento global, taxar os super-ricos e regular a desinformação.
- Esforços pelo clima -
O documento também pede o combate às mudanças climáticas, “com respeito à ciência e aos conhecimentos tradicionais dos nossos povos”.
Insta a substituir os combustíveis fósseis por uma economia de baixo carbono e impulsionar um fundo de preservação das florestas tropicais, uma proposta do Brasil que beneficiaria cerca de 80 países.
Enquanto as negociações avançam com dificuldade na COP29 em Baku, no Azerbaijão, Lula afirmou que 2025 será “a hora da Amazônia falar para o mundo”, quando o Brasil sediará a próxima conferência das partes sobre mudanças climáticas.
“Os países ricos têm que ajudar a financiar a proteção da nossa floresta”, disse neste sábado Lula, que busca se posicionar como protagonista mundial na luta ambiental.
Anteriormente, o presidente se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, com quem teve uma reunião bilateral à margem do G20.
No encontro a portas fechadas no Forte de Copacabana, os dois reiteraram a necessidade de "aumentar a ambição para garantir o sucesso da COP29 e da COP30", indicou o porta-voz de Guterres em um comunicado.
Também reforçaram o compromisso "com as emissões de carbono alinhadas com o limite de 1,5 °C" de temperatura global em relação aos níveis pré-industriais, o objetivo do Acordo de Paris.
- Protesto pró-palestinos -
Centenas de pessoas foram à orla de Copacabana neste sábado em apoio aos palestinos, em uma manifestação vigiada por dezenas de policiais e soldados, que foram deslocados para garantir a segurança dos líderes que chegam ao Rio de Janeiro.
"Estamos aqui para fazer um contraponto à cúpula do G20", disse Tania Arantes, de 60 anos, integrante de um dos sindicatos que convocaram o protesto.
O conflito no Oriente Médio é um dos temas espinhosos que pode dificultar as negociações em busca de uma declaração comum nesta cúpula do G20. A guerra na Ucrânia, por exemplo, já gerou divisões entre os países em encontros recentes.
Os manifestantes, alguns com tradicionais lenços árabes, empunharam bandeiras palestinas e cartazes com reivindicações como o rompimento das relações Brasil-Israel e o fim do financiamento das ofensivas militares em Gaza e no Líbano pelos aliados de Israel.
M.King--AT