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Astronautas da Artemis II se tornam primeiros a ir aonde nenhum outro jamais esteve
Os quatro astronautas da missão lunar Artemis II, da Nasa, se tornaram, nesta segunda-feira (6), os primeiros a voar mais longe da Terra, enquanto se preparam para observar partes da Lua apenas vistas em imagens registradas por satélites.
A equipe da Artemis II bateu o recorde anterior de 400.171 km, estabelecido pela missão Apollo 13 na década de 1970. Espera-se que durante o dia de hoje, esta missão supere em mais de 6.600 km a marca anterior, alcançando 406.778 km de distância.
A nave Orion viaja ao redor da Lua para realizar um sobrevoo histórico, durante o qual os astronautas vão dedicar mais de seis horas a analisar e documentar as características da superfície lunar, antes de iniciar a volta.
"É um dia histórico e sei o quanto estarão ocupados, mas não esqueçam de desfrutar a vista", disse Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e 13, em uma gravação deixada para a nova geração de astronautas, feita pouco antes de falecer no ano passado.
"Estou orgulhoso de passar a tocha a vocês enquanto orbitam a Lua", acrescentou.
A missão, iniciada na última quarta-feira, entrou no que a Nasa chama de esfera de influência lunar nesta segunda por volta das 04h42 GMT (01h42 de Brasília) para realizar o primeiro sobrevoo lunar desde 1972.
O período de observação do satélite natural da Terra vai durar cerca de sete horas a partir das 18h45 GMT (15h45 de Brasília).
No domingo, a agência espacial americana publicou uma imagem registrada pela tripulação, na qual aparece a Lua e sua Bacia Oriental.
"Esta missão marca a primeira vez que toda a bacia foi vista por olhos humanos", informou a Nasa. A enorme cratera, que se assemelha a um alvo, já tinha sido fotografada anteriormente por câmeras orbitais.
A tripulação da nave Orion é composta pelos americanos Christina Koch, Reid Wiseman e Victor Glover, além do canadense Jeremy Hansen.
"Obrigado a vocês e a toda a equipe em terra por perpetuar o legado da Apollo com a Artemis. Boa viagem e um retorno seguro", desejou o astronauta do programa Apollo Charles Duke, de 90 anos.
O americano é um dos últimos homens que participaram de uma missão ao satélite natural da Terra, em 1972. Desde então, nenhum ser humano havia se aproximado do astro.
- Planos revisados -
A Nasa destacou que a tripulação da Artemis concluiu um teste para garantir que a pilotagem manual funciona e também revisou seu plano de observação científica para identificar e fotogravar diversos acidentes geográficos da superfície lunar.
Os astronautas receberam formação em geologia para poder fotografar e descrever os traços lunares, inclusive antigos fluxos de lava e crateras de impacto.
Eles verão a Lua de um ponto de vista único em comparação com as missões Apollo, das décadas de 1960 e 1970.
A tripulação da Artemis II poderá ver a superfície completa e circular da Lua, inclusive as regiões próximas dos dois polos.
- Nunca visto -
A Artemis II faz parte de um plano de longo prazo para retornar de forma sustentável à Lua, com o objetivo de estabelecer uma base permanente que sirva de plataforma para futuras explorações.
Durante o sobrevoo do satélite, "vamos aprender muito sobre a nave espacial", ressaltou no domingo à rede de TV CNN o diretor da Nasa, Jared Isaacman. "É o que mais nos interessa em termos de dados", acrescentou, ao lembrar que a cápsula Orion ainda não havia transportado nenhum ser humano.
A Nasa pretende fazer um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump.
M.Robinson--AT