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Boeing enfrenta outro revés ao cancelar novamente lançamento de foguete para ISS
A Boeing novamente não conseguiu lançar sua primeira espaçonave tripulada Starliner para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) neste sábado (1º), em mais um revés para a empresa aeroespacial americana depois que a operação anterior havia sido cancelada em 6 de maio, horas antes da decolagem.
As equipes de controle em terra cancelaram o lançamento quando faltavam pouco menos de quatro minutos para o fim da contagem regressiva por motivos não revelados.
Foi o segundo adiamento da decolagem desta missão em menos de um mês, em mais um revés para o conturbado programa espacial da Boeing, que vem enfrentando anos de atrasos e adversidades relacionadas à segurança.
O foguete da United Launch Alliance (ULA), a joint venture entre Boeing e Lockheed Martin, deveria ter decolado às 12h25, horário local (13h25 em Brasília), da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, no estado da Flórida, no sudeste dos Estados Unidos.
Mas, no último minuto, um sistema de emergência foi ativado automaticamente, informou a Nasa.
Como resultado, as equipes da ULA, da Boeing e da Nasa começaram a colocar o foguete em uma configuração segura para que os dois astronautas pudessem sair.
As datas alternativas possíveis para a decolagem são este domingo, e também a próxima quarta ou quinta-feira, mas os técnicos precisam determinar primeiro os ajustes necessários.
- Incentivos malsucedidos -
Os astronautas da Nasa Butch Wilmore e Suni Williams são ex-pilotos de teste da Marinha com dois voos espaciais no currículo.
Eles fizeram sinal de positivo e acenaram para suas famílias ao saírem do histórico Edifício de Operações Neil A. Armstrong na manhã deste sábado.
Vestidos com trajes azuis, eles embarcaram na van que os levou para a plataforma de lançamento, onde assistiram a trechos do filme "Top Gun: Maverick" como incentivo à missão que tinham pela frente.
A Nasa está tentando certificar a Boeing como uma segunda operadora comercial para transportar suas tripulações para a ISS, algo que a SpaceX, empresa do magnata Elon Musk, vem fazendo nos últimos quatro anos.
Ambas as empresas receberam contratos de vários bilhões de dólares em 2014 para desenvolver suas cápsulas tripuladas e pilotadas de forma autônoma, depois que o programa do ônibus espacial chegou ao fim em 2011, o que deixou os Estados Unidos temporariamente dependentes dos foguetes da Rússia para suas viagens.
A Boeing, com seus 100 anos de história, foi fortemente favorecida em relação à sua concorrente então iniciante, mas seu programa sofreu anos de atrasos e temores em relação a questões de segurança que refletem os vários problemas que afligem sua divisão de linhas aéreas comerciais.
- Contratempos -
Wilmore e Williams estavam prontos para a decolagem em 6 de maio, quando defeitos em uma válvula do foguete Atlas V, que deveria impulsionar a cápsula da Starliner em órbita, forçaram as equipes de terra a cancelar o lançamento.
Desde então, um pequeno vazamento de hélio localizado em um dos propulsores da espaçonave veio à tona, mas, em vez de trocar sua vedação, o que exigiria a desmontagem da Starliner na fábrica, os funcionários da Nasa e da Boeing consideraram-na segura o suficiente para voar como está.
Os testes pré-lançamento realizados pelas equipes de solo neste sábado confirmaram que o vazamento não havia se expandido ainda mais.
- Sucesso necessário -
Uma vez no espaço, os astronautas colocarão a Starliner à prova, incluindo o controle manual da espaçonave.
Um voo bem-sucedido ajudaria a Boeing a dissipar alguns dos danos à sua reputação sofridos por sucessivos fracassos ao longo dos anos, desde um erro de software que colocou a espaçonave em uma trajetória ruim em seu primeiro teste não tripulado até a descoberta de que a cabine estava cheia de fita isolante elétrica inflamável após o segundo.
Outra preocupação constante foi que o equipamento de processamento de urina na ISS, que recicla a água da urina dos astronautas, sofreu uma falha esta semana e sua bomba precisou ser substituída, disse Dana Weigel, gerente do programa ISS da Nasa, aos repórteres.
A missão tem a tarefa de transportar equipamentos sobressalentes, que pesam cerca de 70 quilos. Para abrir caminho para ele, as malas dos dois astronautas tiveram que ser removidas, o que significa que eles dependerão de suprimentos de reserva armazenados na estação.
A Starliner está prestes a se tornar o sexto tipo de espaçonave construída nos Estados Unidos a transportar astronautas da NASA, seguindo os programas Mercury, Gemini e Apollo nas décadas de 1960 e 1970, o ônibus espacial de 1981 a 2011 e a Crew Dragon da SpaceX a partir de 2020.
T.Wright--AT