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De la Espriella: o showman milionário pró-Trump que quer barrar a esquerda na Colômbia
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Abelardo de la Espriella, apelidado de "O Tigre", capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia.
Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump disputa pela primeira vez um cargo eletivo após anos dedicados à defesa de paramilitares, narcotraficantes, políticos envolvidos em corrupção e estrelas do futebol.
No próximo domingo (21), ele enfrentará o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, em um segundo turno no qual aparece como favorito nas pesquisas.
Caribenho e ultradireitista, define-se como judaico-cristão. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, promete "reconstruir a República", recuperar a segurança, defender a democracia "pela razão ou pela força" e tornar-se um "inimigo ferrenho" da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: "A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha" e que veio enfrentá-los e "castigá-los".
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspira-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
- A "dolce vita" -
De la Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
"Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades", disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Pai de quatro filhos, afirma ter "coragem" para governar com "mão de ferro" o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
"No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido", dizia.
Para combater as organizações criminosas, pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel.
Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado.
Afirma que vivia a "dolce vita" em Florença e que a campanha presidencial representa um "sacrifício" pela "pátria".
Sua esposa declarou que, em caso de derrota no segundo turno, a família voltará para a Itália, onde já tem "a vida resolvida".
- "Firmes pela pátria" -
De la Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo "inflexível diante do terrorismo".
Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada "De la Espriella Style".
Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam "dez andares abaixo da terra", alimentados com "pão e água".
Com a saudação militar e um enfático "firmes pela pátria!", conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios.
Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém "uma grande amizade" com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
De la Espriella afirma viver "de acordo com os princípios judaico-cristãos", embora anteriormente se declarasse ateu.
Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu "ao estilo de Tom Sawyer", pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso "estripar" a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
T.Sanchez--AT