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Ministro saudita da Energia pede resposta firme aos ataques houthis
O ministro saudita da Energia defendeu, nesta segunda-feira (12), uma resposta firme após a onda de ataques dos houthis do Iêmen e reconheceu que a ofensiva colocou à prova a infraestrutura e a resiliência da monarquia petroleira.
"Os acontecimentos das últimas semanas são graves. A nossa resposta deve ser igualmente grave", disse o ministro, príncipe Abdulaziz bin Salman, em uma conferência sobre energia em Riade.
"A segurança energética não pode ser considerada garantida", acrescentou.
Os ataques realizados neste fim de semana pelos houthis, um movimento pró-Irã que controla grande parte do Iêmen e está em conflito com a Arábia Saudita há mais de uma década, marcaram uma escalada.
Nesta segunda-feira, Mohamed Al Bukhaiti, membro da ala política houthi, advertiu, em declarações à AFP, que os Estados Unidos, um aliado próximo da Arábia Saudita, receberão uma "resposta rápida e dolorosa" se decidirem entrar na guerra.
Além disso, instou "todos os funcionários e trabalhadores das instalações petrolíferas e dos aeroportos sauditas" a se manterem "afastados" desses locais, "porque se tornaram alvos legítimos".
No domingo, uma pessoa morreu em um novo ataque ao aeroporto internacional de Riade, horas depois de outro ataque reivindicado pelos houthis que matou 13 pessoas e deixou mais de 300 feridos no local.
As autoridades sauditas tiveram que fechar o aeroporto da capital, que permanecerá fechado pelo menos até quinta-feira, segundo disse à AFP uma fonte do setor aéreo, em um momento repleto de eventos econômicos na cidade, que costumam atrair vários empresários estrangeiros.
A companhia aérea nacional do Bahrein informou ter cancelado até sábado todos os seus voos com origem e destino em Riade, medida também adotada pela companhia aérea nacional dos Emirados Árabes Unidos até a próxima segunda-feira, devido a "perturbações regionais".
O país continuava sendo alvo de mísseis e drones nesta segunda-feira, segundo uma emissora estatal.
Diante da situação, a embaixada americana anunciou que seus funcionários deverão solicitar "uma autorização especial" para entrar em todos os aeroportos do reino e recomendou "a maior precaução" a quem decidir viajar de avião.
A embaixada australiana no país também instou seus cidadãos a se colocarem em segurança, sem dar mais detalhes.
- "A casa toda tremeu" -
Os ataques à Arábia Saudita, potência regional e maior exportadora de petróleo do mundo, são os mais letais em uma década.
No domingo, os houthis reivindicaram uma série de ataques nas últimas 24 horas e ameaçaram continuar atingindo infraestruturas de transporte.
Horas mais tarde, a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que desde 2015 combate os houthis pró-Irã, informou a queda de um projétil no aeroporto da capital, o que provocou um incêndio. As defesas aéreas interceptaram outro míssil nas imediações.
Jornalistas da AFP e moradores ouviram uma série de explosões em Riade. "A casa toda tremeu", disse um morador do bairro de Al Aarid, no norte da capital.
O aeroporto de Riade não foi o único alvo. A autoridade de aviação civil informou sobre outro ataque ao aeroporto de Dammam, no leste, junto ao Golfo.
- Crime de guerra -
"As defesas aéreas sauditas conseguiram interceptar alguns mísseis e drones houthis, mas a Arábia Saudita é tão extensa que, simplesmente, é impossível defender-se completamente", comentou Thomas Juneau, analista de segurança da Universidade de Ottawa.
A coalizão hostil aos houthis classificou o ataque de sábado ao aeroporto de Riade como "crime de guerra" e prometeu "responder de maneira decisiva".
A Arábia Saudita lidera uma coalizão que apoia desde 2015 o governo iemenita reconhecido internacionalmente. Um dos objetivos da campanha militar é controlar o espaço aéreo iemenita.
Em campo, o governo iemenita reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade afirmou estar avançando em sua contraofensiva contra os houthis nos arredores do Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante via marítima por onde transitam mercadorias asiáticas destinadas à Europa, segundo informaram fontes militares no sábado.
Os houthis, que estão posicionados nessa região há semanas, garantem tê-los repelido. Os rebeldes reforçaram o cerco a Taiz, a terceira cidade do país, onde os combates deixaram mais de 60 mortos nas últimas 24 horas, segundo fontes militares de ambos os lados.
As afirmações de ambos os lados têm sido impossíveis de verificar de forma independente, devido à volatilidade da situação e à dificuldade de acesso para jornalistas.
bur/axn/avl/pb/aa/mmy/jvb/lm/mvv
W.Nelson--AT