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Ataque ao aeroporto de Riade, atribuído aos houthis, deixa ao menos 12 mortos
Pelo menos 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas no sábado em um ataque atribuído aos combatentes houthis pró-Irã contra o Aeroporto Internacional de Riade, anunciou neste domingo (11) a autoridade de aviação civil saudita.
Quatro sauditas e oito estrangeiros, entre eles um americano, estão entre as vítimas fatais, detalhou a autoridade em comunicado. “O ataque também deixou 309 feridos”, alguns com “lesões graves”, acrescentou, informando ainda sobre “danos materiais”.
Uma fonte de um hospital local identificou uma das vítimas como um comissário de bordo egípcio que trabalhava para uma companhia aérea saudita. Outra vítima era um palestino com documentos de viagem egípcios.
As autoridades de saúde haviam ordenado mais cedo uma incomum mobilização em massa de médicos para responder a uma "emergência grave", enquanto diversas embaixadas estrangeiras recomendaram a seus cidadãos que evitassem o aeroporto, que suspendeu suas operações.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita em apoio ao governo do Iêmen acusou neste domingo, em comunicado, os combatentes houthis apoiados pelo Irã de lançarem o ataque e prometeu responder “com firmeza” ao que classificou como um “crime de guerra".
- “Todo mundo corria” -
Os houthis desencadearam uma série de ataques contra a Arábia Saudita, tendo como alvo aeroportos, instalações petrolíferas e petroleiros desde julho, quando a trégua com o governo iemenita apoiado por Riade entrou em colapso.
O governo saudita raramente reconhece publicamente que ataques houthis atinjam alvos civis e, nas últimas semanas, tem mantido silêncio quase total sobre esses incidentes.
Até o momento, o movimento não assumiu a autoria do ataque deste sábado.
Uma testemunha afirmou ter ouvido uma explosão enquanto aguardava o embarque em um voo, enquanto outra disse ter presenciado um impacto que deixou feridos e provocou cenas de pânico entre os passageiros.
"Eu estava no portão 403. Vi como atingiram o 401, vi feridos (...) Todo mundo corria", relatou à AFP.
Um familiar de um dos feridos descreveu lesões provocadas pela explosão de vidraças. Três testemunhas afirmaram que o aeroporto estava sendo evacuado.
Uma fonte diplomática disse à AFP que um míssil atingiu o aeroporto por volta das 15h locais (9h no horário de Brasília). "Os houthis estão atacando alvos civis", declarou.
- Alertas das embaixadas -
O conflito no Iêmen voltou a se intensificar após o fim de uma trégua de quatro anos negociada pela ONU, em meio à escalada da guerra regional no Oriente Médio.
A Arábia Saudita lidera uma coalizão internacional que apoia militarmente o governo iemenita e tem se envolvido cada vez mais na guerra civil do país vizinho.
A embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita informou que estava ciente dos ataques contra o aeroporto de Riade e pediu a seus cidadãos que evitassem a área.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou neste sábado que decidirá "muito em breve" se seu país participará dos ataques da Arábia Saudita contra os houthis.
As embaixadas do Canadá, da Alemanha e da Espanha emitiram alertas semelhantes. A representação diplomática espanhola advertiu no X sobre um "novo ataque (...) dos houthis".
Um alto diplomata ocidental informou à AFP que diversas embaixadas proibiram os deslocamentos de seu pessoal de e para o aeroporto de Riade durante a próxima semana.
- Situação no Iêmen -
Enquanto isso, no Iêmen, forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita avançavam contra os houthis em áreas que os combatentes pró-Irã haviam conquistado no mês passado nos arredores do estratégico Estreito de Bab el Mandeb, disseram fontes militares à AFP.
Na semana passada, o governo iemenita anunciou uma contraofensiva destinada a recuperar todos os territórios controlados pelos houthis, depois que o grupo tomou toda a costa oeste do país em uma ofensiva relâmpago.
Os houthis confirmaram que as forças governamentais lançaram ataques na região de Bab el Mandeb, passagem fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias pelo Mar Vermelho, mas asseguraram ter repelido a ofensiva.
As afirmações de ambos os lados não puderam ser verificadas de forma independente, em um conflito de rápida evolução e com acesso extremamente restrito para jornalistas.
O.Gutierrez--AT