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Trump comemora acordo sobre diesel com a Rússia antes de eleições nos EUA
O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira um acordo para que a Rússia forneça diesel aos mercados americano e mundial, ao flexibilizar as sanções contra Moscou por sua guerra contra a Ucrânia.
Moscou é alvo de uma série de sanções dos Estados Unidos e de seus parceiros desde que invadiu a Ucrânia em 2022. Trump fechou o acordo antes das eleições legislativas de novembro, nas quais seu partido corre o risco de perder o controle do Congresso, em meio à frustração de eleitores com o aumento dos preços dos combustíveis.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chamou a decisão do presidente americano de "indigna" e "fraca".
Os preços do diesel e da gasolina nos postos de combustíveis dos Estados Unidos sobem desde fevereiro, quando o país e Israel atacaram o Irã. Em resposta, o governo iraniano bloqueou o Estreito de Ormuz, uma via crítica para o comércio mundial de petróleo.
"A Rússia fornecerá imediatamente mais de 300.000 toneladas de diesel aos mercados americano e global, e outras 500.000 toneladas em novembro", publicou Trump em suas redes sociais, após conversar com Putin. "A parte russa confirmou sua disposição de fornecer petróleo e derivados aos mercados americano e mundial", ressaltou o Kremlin.
"Sem dúvida, não é honesto. Sem dúvida, não é digno de nossos parceiros, e, para mim, é uma decisão fraca", criticou Zelensky.
O Departamento do Tesouro americano emitiu hoje uma licença temporária para que o diesel russo possa chegar aos mercados mundiais até abril de 2027. "Preços mais baixos para os americanos, principalmente para os nossos grandes agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, são a minha principal prioridade", ressaltou Trump.
- Impasse -
O preço médio do galão de gasolina comum nos Estados Unidos subiu mais de 46% desde fevereiro, aos 4,37 dólares. Já o do diesel disparou 67% no mesmo período, aos 6,28 dólares.
Trump atribuiu aos ataques ucranianos contra refinarias russas a alta nos preços dos combustíveis, embora a guerra contra o Irã tenha sido o principal fator de perturbação do abastecimento mundial.
O acordo foi divulgado no momento em que negociadores ucranianos se reuniram com enviados americanos em Miami com o objetivo de discutir alternativas para encerrar a guerra. As conversas vão continuar amanhã, com a participação de representantes da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Otan e União Europeia.
As partes "tiveram discussões construtivas sobre possíveis vias para desescalar e encerrar a guerra contra a Rússia antes do inverno", informou o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff.
As repetidas tentativas de Trump de negociar o fim da guerra foram frustradas pelas amplas exigências territoriais de Moscou, em particular por sua insistência em controlar toda a região oriental ucraniana do Donbas, incluindo áreas que ainda estão nas mãos de Kiev.
T.Sanchez--AT