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Irã descarta negociar com os EUA sob pressões e ameaças
As negociações entre Teerã e Washington só podem prosperar se ocorrerem sem pressão ou ameaças, afirmou nesta sexta-feira (9) o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante uma cúpula regional no Turcomenistão.
Mais de sete meses após a eclosão do conflito com ataques americanos e israelenses contra a República Islâmica, as negociações entre Washington e Teerã parecem estagnadas, apesar de algumas conversas no mês passado durante a Assembleia Geral da ONU.
Embora ambos os lados tenham assinado um cessar-fogo em abril e um protocolo de acordo em junho, que deveria levar a conversas de paz, a disputa pelo controle do estratégico Estreito de Ormuz resulta frequentemente em ataques e ameaças mútuas.
"O diálogo só faz sentido e só tem chance de sucesso se for baseado no respeito mútuo e em compromissos recíprocos, e se estiver livre de qualquer pressão ou ameaça", declarou Pezeshkian em discurso na cúpula da Comunidade de Estados Independentes (CEI).
"Uma negociação realizada sob a ameaça da força não é uma negociação", insistiu o presidente iraniano, alertando que as sanções contra seu país prejudicavam "o comércio, (...) a energia e a ordem na região".
Nesta mesma semana, Pezeshkian havia afirmado que as conversas "são inúteis" diante de "um inimigo que recorre diariamente a assassinatos, sanções, pressões e ameaças, e que descumpre seus compromissos".
Os últimos encontros diretos entre representantes de ambos os países que vieram a público ocorreram no final de setembro, em Nova York, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Pouco depois, o Irã propôs um plano para reabrir o Estreito de Ormuz em um prazo de sete dias, em troca, entre outras questões, do levantamento das sanções econômicas americanas contra o país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou a proposta, mas deixou a porta aberta para a continuidade das negociações indiretas, sem descartar, no entanto, a retomada dos ataques.
Nesse sentido, Trump afirmou ontem, em sua rede Truth Social, que tais ataques não ocorrerão antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.
Os Estados Unidos não atacam o Irã desde 1º de setembro, embora tenham intensificado sua guerra econômica ao impor novas sanções ao setor aéreo iraniano.
burs-ema/blb/dbh/avl/aa
W.Moreno--AT