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Doze países anunciam sanções ao comércio com colônias israelenses na Cisjordânia
Doze países, incluindo Espanha, França e Reino Unido, anunciaram, nesta terça-feira (8), sanções ao comércio de bens com os assentamentos "ilegais" de Israel na Cisjordânia, em protesto à violência dos colonos contra os palestinos e a expansão dessas comunidades.
Canadá, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal e Suécia também aplicarão medidas contra o comércio com estes assentamentos, indicaram os ministros das Relações Exteriores dos doze países em uma declaração conjunta.
Em represália às sanções impostas por países ocidentais, por iniciativa do Reino Unido, Israel ordenou nesta terça-feira o fechamento do consulado britânico em Jerusalém.
A decisão das doze nações ocorre após várias semanas de intensificação dos ataques de colonos israelenses contra localidades palestinas na Cisjordânia, situação que provocou ampla condenação internacional.
Irlanda e Espanha já haviam adotado medidas contra o comércio com as colônias israelenses e, diante da ausência de uma decisão semelhante a nível da União Europeia, principal parceiro comercial de Israel, outros países, como a França, decidiram agir em âmbito nacional.
"A situação está se deteriorando rapidamente em um contexto de níveis sem precedentes de violência de colonos e expansão dos assentamentos", alertaram os chanceleres dos doze países.
O presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disseram nesta terça-feira que os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada minam as perspectivas de uma solução de dois Estados.
"A expansão sistemática dos assentamentos na Cisjordânia, assim como o drástico aumento da violência por parte dos colonos, representam uma ameaça direta e urgente a essa visão de paz", disseram os líderes em comunicado conjunto.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos não vão aderir às sanções.
"Obviamente, não vamos fazer o que o Reino Unido fez", declarou Rubio a jornalistas antes de partir em uma viagem à América Latina, acrescentando: "Não queremos ver nada desestabilizador acontecendo neste momento na Cisjordânia, com tudo o que está acontecendo na região".
Entre os projetos israelenses destacados pelos ministros está o do assentamento E1, aprovado por Israel no ano passado após décadas de congelamento, que prevê a construção de 1.200 moradias na Cisjordânia e isolaria ainda mais Jerusalém Oriental do restante do território ocupado.
- "À beira da explosão" -
Durante um discurso no Parlamento britânico, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, acusou Israel de fazer "vista grossa" à "limpeza étnica" perpetrada por colonos israelenses.
"Posso anunciar hoje que vamos instaurar uma proibição de importação de produtos procedentes de assentamentos ilegais situados nos territórios ocupados", acrescentou Miliband.
O chanceler israelense, Gideon Saar, reagiu, por sua vez, afirmando que "as acusações formuladas" pelo seu homólogo britânico perante o Parlamento "são falsas".
Em um comunicado publicado na rede social X, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, disse que Paris colocará "fim ao comércio com as colônias israelenses na Palestina (...) porque a Cisjordânia está à beira da explosão".
Cerca de três milhões de palestinos vivem ao lado de mais de 500.000 israelenses instalados em assentamentos na Cisjordânia, sem contar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel.
Segundo um levantamento da AFP baseado em dados do Ministério da Saúde palestino, pelo menos 1.105 palestinos morreram na Cisjordânia pelas forças israelenses ou por colonos desde o início da guerra em Gaza.
De acordo com o direito internacional, todas as colônias israelenses neste território ocupado desde 1967 são ilegais.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu continuar com a expansão dos assentamentos na Cisjordânia apesar da crescente pressão internacional.
T.Sanchez--AT