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Síria começou a destruir armas químicas da era Assad
A Síria começou a destruir equipamentos ligados ao seu antigo programa de armas químicas, anunciou nesta quinta-feira (3) seu representante permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em um passo de grande alcance simbólico quase dois anos após a queda de Bashar al-Assad.
"Esta é a primeira operação de destruição desde nossa libertação do antigo regime", comentou o embaixador da Síria na ONU, Ibrahim Olabi, classificando-a como um "momento histórico".
A questão das armas químicas sírias permanece estreitamente ligada a um dos capítulos mais sombrios da guerra civil.
Em 21 de agosto de 2013, um ataque químico atribuído ao governo sírio - que negou qualquer envolvimento - em Ghouta Oriental, um subúrbio da capital, Damasco, causou a morte de mais de 1.400 pessoas, segundo a inteligência americana.
As imagens de homens, mulheres e, sobretudo, crianças sem vida, com espuma na boca, chocaram o mundo.
Pressionada por Washington e Moscou, Damasco aderiu à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) e concordou em declarar e entregar seus arsenais de agentes tóxicos para destruição.
No entanto, os inspetores internacionais concluíram posteriormente que o regime de Assad nunca havia revelado completamente seu programa e havia obstruído repetidamente suas investigações.
Em 2021, a Opaq tomou a medida sem precedentes de privar a Síria de seu direito a voto após concluir que sua força aérea havia utilizado gás sarin e cloro contra sua própria população em áreas controladas por facções da oposição.
- Primeira destruição desde 2014 -
Desde a queda de Bashar al-Assad, no fim de 2024, as novas autoridades sírias se comprometeram a cooperar com a organização para destruir as armas químicas.
Autorizaram, assim, os inspetores da Opaq a estabelecer uma presença permanente no país para documentar os locais suspeitos, garantir a segurança dos arsenais restantes e colher depoimentos sobre ataques ocorridos durante os 13 anos de guerra.
"Queremos proteger o povo sírio para que essas armas não caiam em mãos erradas", declarou Ibrahim Olabi, acrescentando que cada local protegido contribui para a segurança da região e do restante do mundo.
A Alta Representante das Nações Unidas para o Desarmamento, Izumi Nakamitsu, informou que uma equipe da Opaq verificou no mês passado a destruição irreversível de 42 bombas aéreas.
"Este importante avanço significa que, pela primeira vez desde 2014, a Opaq verificou a destruição de munições químicas na República Árabe Síria", ressaltou.
No Conselho de Segurança, os Estados Unidos instaram as novas autoridades sírias a continuar sua cooperação com a Opaq.
"Esta também é uma forma de honrar a memória dos homens, mulheres e crianças sírios que perderam a vida", afirmou a embaixadora adjunta dos Estados Unidos, Tammy Bruce.
"Que sua memória nos inspire a continuar nossos esforços para construir uma Síria e um mundo finalmente livres de armas químicas", acrescentou.
China e Rússia também comemoraram os avanços obtidos por Damasco na destruição do antigo arsenal de armas químicas da Síria.
Bashar al-Assad fugiu para Moscou em dezembro de 2024, antes de Damasco cair nas mãos das novas autoridades.
N.Walker--AT