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Irã diz que não tomou decisão sobre acordo iminente anunciado por Trump
O Irã afirmou nesta sexta-feira (12) que ainda não tomou nenhuma decisão sobre um acordo iminente para acabar com a guerra, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a mencionar uma possível assinatura "neste fim de semana".
O mandatário republicano retirou, na quinta-feira, sua ameaça de lançar novos ataques contra a República Islâmica, ao afirmar que um ponto em comum havia sido alcançado.
"Acabamos de chegar a um acordo muito bom para acabar com a guerra com o Irã e, uma vez finalizados os documentos, o que deve acontecer nos próximos dias... provavelmente teremos uma assinatura, talvez na Europa", afirmou Trump no Salão Oval.
A diplomacia iraniana, no entanto, afirmou pouco depois que Teerã ainda não decidiu se assinará um acordo.
"Até o momento, o Irã não chegou a uma conclusão definitiva sobre o acordo", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
A agência de notícias Tasnim destacou que o presidente americano já anunciou 38 vezes, nos últimos dois meses, que um acordo de paz entre as partes era iminente.
"Até que o Irã se pronuncie sobre a possibilidade de um acordo, qualquer notícia de Trump a esse respeito deve ser considerada da mesma forma que suas declarações anteriores", acrescentou a agência.
Trump chegou a declarar que acredita que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aprovou o "acordo-marco muito sólido" e sugeriu que seu vice-presidente, JD Vance, o assinará possivelmente "neste fim de semana".
Mas ele não revelou nenhum detalhe sobre o conteúdo, exceto que garantirá a reabertura do Estreito de Ormuz, via fundamental para o tráfego mundial de combustíveis, e impedirá que o Irã desenvolva armas nucleares.
A esperança de resolução do conflito e, portanto, de reabertura de Ormuz, provocou uma queda nos preços do petróleo. Durante a madrugada, a cotação do barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, recuou 1,11%, a 89,37 dólares.
- Terminal de petróleo ameaçado -
Na quinta-feira, Trump prometeu atacar o Irã "com muita força" durante a noite, ao ameaçar em particular "tomar a ilha de Khark", o principal terminal de petróleo do país.
Mas, depois de considerar que "as conversas com a República Islâmica do Irã foram examinadas e aprovadas pelas mais altas autoridades iranianas" ele anunciou o "cancelamento dos ataques aéreos e os bombardeios que estavam previstos contra o Irã esta noite" em sua rede Truth Social.
O Egito pediu, em um comunicado divulgado na noite de quinta-feira, que Washington e Teerã aproveitem a "oportunidade" de um acordo para encerrar a guerra.
O cessar-fogo no Oriente Médio, que entrou em vigor em 8 de abril, foi respeitado de maneira geral até o fim de semana passado, mas os últimos dias foram marcados pela retomada das hostilidades, mais de três meses após o início do conflito.
O Exército norte-americano informou que, durante a madrugada de quinta-feira, atacou "centros de vigilância militar iranianos, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea".
O Irã respondeu com o lançamento de quase 20 mísseis contra uma base americana em Azraq, na Jordânia, todos interceptados, e voltou a atacar as monarquias do Golfo com drones.
- Ormuz bloqueado -
O Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra passavam 20% dos combustíveis consumidos no mundo, é o epicentro das tensões.
Após os novos ataques americanos, a autoridade marítima iraniana anunciou o bloqueio total de Ormuz "até novo aviso". Até então, Teerã permitia a passagem de quase 20 navios por dia.
O Irã mantém o bloqueio desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, enquanto os Estados Unidos, por sua vez, impõem um cerco aos portos iranianos.
O conflito foi retomado no domingo, quando o Irã lançou mísseis contra Israel, pela primeira vez desde o início da frágil trégua, em represália aos ataques israelenses contra Beirute.
Teerã, patrocinador do movimento libanês Hezbollah, insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir o Líbano, cujo destino Washington pretende discutir separadamente.
Israel respondeu aos mísseis iranianos, mas os dois países inimigos anunciaram uma suspensão das hostilidades na segunda-feira, como Trump havia solicitado.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah atacou o território israelense em apoio ao Irã. Desde então, Israel bombardeia o país vizinho com a intenção de "eliminar" o movimento xiita.
As operações israelenses mataram mais de 3.700 pessoas, principalmente no sul do país, onde seu Exército ocupa parte do território.
P.A.Mendoza--AT