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Relação entre Trump e Netanyahu sob tensão crescente por causa da guerra
De terem iniciado juntos a guerra contra o Irã a manterem uma relação cada vez mais tensa, o vínculo entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu estaria sob pressão após o presidente dos Estados Unidos ter chamado o primeiro-ministro israelense de "louco".
Trump teria disparado uma série de insultos durante uma ligação telefônica com Netanyahu por temer que as ameaças deste de bombardear Beirute afetassem as conversações com Teerã, informaram os meios de comunicação americanos Axios e ABC News.
A informação evidenciou os laços cada vez mais frágeis entre os dois aliados de direita, que têm muito a perder politicamente com a guerra no Oriente Médio.
Trump quer encerrar uma guerra que afetou duramente a economia dos Estados Unidos a menos de seis meses das eleições de meio de mandato, nas quais será decidido se seu Partido Republicano manterá o controle do Congresso.
Por sua vez, o veterano primeiro-ministro israelense enfrenta um possível colapso de sua coalizão de direita e está sob críticas por ceder a Trump em questões de segurança após frear os planos de ataque a Beirute.
– "Todos te odeiam" –
"Você está completamente louco. Estaria na prisão se não fosse por mim. Estou salvando sua pele. Todos te odeiam agora. Todos odeiam Israel por causa disso", teria gritado Trump por telefone a Netanyahu na segunda-feira (1º), segundo informou o Axios.
Veículos de comunicação israelenses negaram essa versão.
Questionado pela AFP, um funcionário da Casa Branca remeteu às publicações feitas por Trump na segunda-feira em sua plataforma Truth Social.
Em seus comentários, Trump agradeceu a Netanyahu pelo que descreveu como um acordo para retirar tropas de Beirute e "parar os disparos" com o Hezbollah.
Segundo analistas, não é a primeira vez que os dois políticos entram em choque e provavelmente não será a última.
"As tensões pessoais entre Netanyahu e os presidentes dos Estados Unidos não são novidade", disse à AFP o ex-embaixador em Israel Dan Shapiro, atualmente membro sênior do Atlantic Council.
Durante três décadas, Netanyahu tentou convencer os ocupantes da Casa Branca a atacar o Irã por causa de seu programa nuclear. Apenas em Trump encontrou um aliado ideológico.
O político israelense reuniu-se com Trump em várias ocasiões desde o retorno deste ao poder em 2025. E foi fundamental para que o líder americano cruzasse a linha em fevereiro, quando ainda tentava decidir se entraria ou não na guerra, informou recentemente o New York Times.
Tanto o conflito quanto a aliança com Netanyahu mostraram-se politicamente custosos.
– "Morre para continuar no poder" –
Antigos aliados de Trump, como o apresentador Tucker Carlson e a ex-congressista Marjorie Taylor Greene, acusam o presidente de permitir que Israel arrastasse os Estados Unidos para mais uma guerra no Oriente Médio.
Segundo eles, isso vai contra os princípios do movimento MAGA ("Make America Great Again"), baseados na política de "América em Primeiro Lugar".
Até mesmo o Partido Republicano, tradicionalmente pró-Israel, encontra-se cada vez mais dividido. Cerca de 57% dos republicanos entre 18 e 49 anos têm uma opinião desfavorável sobre Israel, ante 50% no ano passado, segundo uma pesquisa do Pew Research Center divulgada em abril.
O impacto da guerra contra o Irã nos preços ameaça as chances de vitória dos republicanos nas eleições de novembro.
Para Netanyahu — que mantém frentes de guerra abertas no Líbano, no Irã e em Gaza, além de enfrentar uma série de acusações de corrupção —, é provável que haja ainda mais em jogo.
'Netanyahu morre para continuar no poder", disse à AFP Mairav Zonszein, do International Crisis Group.
"Trump tenta encontrar uma saída, e claramente possui grande poder de pressão sobre Netanyahu", acrescentou.
Mas, enquanto Trump tenta encerrar a guerra, Netanyahu quer prossegui-la. "Essa é a principal divergência entre eles", concluiu.
burs-dk/ksb/lb/nn/am
H.Gonzales--AT