Arizona Tribune - Forças de Israel avançam no Líbano enquanto delegações se reúnem nos EUA, diz Netanyahu

Forças de Israel avançam no Líbano enquanto delegações se reúnem nos EUA, diz Netanyahu
Forças de Israel avançam no Líbano enquanto delegações se reúnem nos EUA, diz Netanyahu / foto: KAWANT HAJU - AFP

Forças de Israel avançam no Líbano enquanto delegações se reúnem nos EUA, diz Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou, nesta sexta-feira (29), que as forças de seu país avançaram no Líbano, enquanto delegações militares israelenses e libanesas mantêm diálogos de segurança em Washington.

Tamanho do texto:

Israel também manteve, nesta sexta, um intenso bombardeio no sul do Líbano, enquanto o presidente libanês, Joseph Aoun, destacou em um telefonema com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, "a necessidade de mobilizar todos os esforços para conseguir um cessar-fogo" como primeiro passo essencial, segundo seu gabinete.

Supunha-se que uma trégua para deter os combates entre Israel e o grupo islamista Hezbollah, apoiado pelo Irã, entraria em vigor em 17 de abril, mas nunca foi respeitado.

Ambas as partes trocam acusações de violá-lo e justificam seus ataques pelos supostos descumprimentos do outro lado.

O Hezbollah, por sua vez, afirmou ter lançado, nesta sexta-feira, uma série de ataques contra soldados, quartéis e um acampamento militar no norte de Israel.

Israel e Líbano, oficialmente em guerra há décadas, iniciaram diálogos diretos em abril, e uma quarta rodada é esperada para a próxima semana em Washington, após a reunião de sexta-feira no Pentágono.

Uma fonte militar libanesa declarou à AFP que a delegação de seu país "reforçará a necessidade de um cessar-fogo e apresentará o plano do exército para um monopólio estatal das armas e da extensão da autoridade do Estado a todo o país".

O Hezbollah se opõe firmemente aos diálogos e se negou a se desarmar.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Tommy Pigott, disse que Rubio tinha "elogiado a coragem e a visão do Aoun ao impulsionar negociações diretas com Israel" apesar da oposição do Hezbollah, e acrescentou que o grupo é "inteiramente responsável pelos combates em curso".

- "Muito difícil" -

Netanyahu anunciou, nesta sexta-feira, que as forças israelenses tinham avançado para além do rio Litani, cerca de 30 km ao norte da fronteira entre Líbano e Israel.

"Nossas forças cruzaram o Litani, avançaram até o terreno dominante", disse em um vídeo divulgado por seu gabinete, acrescentando que Israel estava "atingindo o Hezbollah de frente".

Nesta sexta, a Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA, estatal) reportou ataques aéreos israelenses contra mais de 20 localidades do sul, tanto antes quanto depois de o exército emitir alertas de evacuação para oito povoados, provocando uma onda de deslocamentos.

Centenas de pessoas fugiram recentemente para a parte antiga de Tiro, habitualmente turística, poupada das recentes ordens de evacuação do exército israelense para amplas zonas do resto da cidade e seus arredores.

Com os refúgios cheios, algumas pessoas dormem em seus carros ou em barracas de campanha, informou um correspondente da AFP.

Karam Amin, de 43 anos, e sete membros de sua família têm dormido em sua loja de roupas.

"Instalei um chuveiro (...) e colocamos colchões no chão", explicou Amin. "A situação é difícil. Tiro é uma cidade pacífica e turística. Nunca imaginamos passar por algo assim".

- "Grave perigo" -

O Ministério da Saúde do Líbano informou que os ataques israelenses mataram ao menos 3.355 pessoas desde o início da guerra, em 2 de março, 31 a mais que na quinta-feira, quando foram registrados amplos ataques no sul e o primeiro bombardeio aéreo perto de Beirute em semanas.

O Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, reportou que 15 crianças morreram na última semana e 55 desde o anúncio do cessar-fogo.

Esta semana, o exército israelense declarou que todas as zonas ao sul do rio Zahrani - uma área que inclui as cidades de Tiro e Nabatieh - são "zonas de combate" e ordenou que os moradores se retirassem.

O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salame, declarou na sexta-feira à AFP que os bombardeios israelenses no sul do país punham em "grave perigo" os locais patrimoniais, inclusive os de Tiro.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio com disparos de foguetes contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano em ataques americanos-israelenses, o que provocou bombardeios e uma invasão terrestre por parte de Israel.

O Irã tem insistido que qualquer acordo para pôr fim ao conflito no Oriente Médio também deve ser aplicado ao Líbano.

P.Smith--AT