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Acusados dão versões opostas sobre atendimento domiciliar no julgamento da morte de Maradona
A diferença entre "internação" e "cuidados" domiciliares foi o tema de uma nova audiência nesta quinta-feira (28) no julgamento de sete profissionais de saúde na Argentina pela morte de Diego Maradona, que faleceu em 2020 enquanto se recuperava em uma casa alugada após uma cirurgia na cabeça.
"Meu critério sempre foi o mesmo: uma internação domiciliar séria", afirmou a psiquiatra Agustina Cosachov, uma das principais acusadas e que tratava Maradona na época.
Cosachov afirmou que nunca considerou apropriado que o ex-jogador voltasse para casa após a cirurgia a que foi submetido em 3 de novembro de 2020 para tratar um hematoma subdural.
Segundo a médica, que falou pela primeira vez no tribunal, a melhor alternativa era continuar a reabilitação em um centro especializado, devido à depressão e ao alcoolismo do paciente de 60 anos.
No entanto, Maradona recusou, e surgiu então a opção de alugar uma casa em Tigre - 30 km ao norte de Buenos Aires - para que ele ficasse em recuperação.
"Para mim, como psiquiatra, voltar para casa por conta própria não era uma opção. Então, criamos essa opção intermediária, que era o dispositivo de internação domiciliar", declarou Cosachov.
"Solicitei um clínico geral, um neurologista, exames clínicos, uma ambulância para transferências, enfermeiros homens e um especialista em dependência química", continuou a médica.
"Eu assinei convencida de que isso seria cumprido. Por que eu pensaria que uma empresa como a Swiss Medical não faria o melhor por um paciente com essas características?", disse ela, referindo-se à empresa de medicina particular que participou da logística.
Por sua vez, Mariana Flichman, ex-médica legista da Swiss Medical que participou da elaboração do relatório de alta, declarou que o serviço prestado foi de acompanhamento e enfermagem, e não de uma estrutura hospitalar.
"Não tivemos conhecimento do quadro clínico nem intervimos. Apenas recebemos o resumo clínico que nos é transmitido pela equipe médica", afirmou.
"Acreditei que todos sabiam o que estavam assinando", acrescentou Flichman.
O julgamento no tribunal de San Isidro, perto de Tigre, examina tanto a adequação quanto as condições da hospitalização domiciliar que terminou com a morte do ídolo em 25 de novembro de 2020, devido a uma parada cardiorrespiratória e edema pulmonar.
A Swiss Medical não é acusada como pessoa jurídica, embora entre os acusados esteja Nancy Forlini, que trabalhava para a empresa e atuava como coordenadora médica do pós-operatório de Maradona.
Os sete réus do julgamento são acusados de homicídio com dolo eventual, o que implica ter conhecimento do risco de morte, e podem ser condenados a penas de até 25 anos de prisão.
Espera-se que o julgamento, com duas audiências por semana, continue pelo menos até julho.
N.Mitchell--AT