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Colômbia registra ataque de guerrilha mais letal em décadas
Pelo menos 31 ataques de guerrilha foram registrados durante o fim de semana na Colômbia, em meio à campanha para as eleições presidenciais, entre eles a explosão de uma bomba em uma rodovia que deixou dezenas de mortos, o pior ataque contra civis das últimas três décadas.
Os ataques são atribuídos a uma facção dissidente das extintas Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), comandada pelo insurgente conhecido como Iván Mordisco, o criminoso mais procurado da Colômbia, que se recusou a assinar o histórico acordo de paz de 2016 e atualmente se financia principalmente com o tráfico de cocaína.
"Por favor, chega de mortes, chega de violência", declarou à AFP Joao Valencia, de 42 anos, familiar de uma das vítimas, em meio a centenas de manifestantes vestidos de branco em Cajibío, perto de onde a bomba explodiu.
O balanço de mortos no ataque com explosivos no sábado no departamento de Cauca subiu para 21, disse, nesta segunda-feira (27), o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, à rádio Caracol. Outras 56 pessoas ficaram feridas.
Jornalistas da AFP viram no sábado vários corpos desmembrados e uma dezena de veículos destruídos ao lado de uma cratera gigantesca no meio da estrada, cenas que remetem à pior época do conflito armado de mais de 60 anos no país.
O governo atribui os ataques à uma represália dos rebeldes pela pressão militar após as negociações de paz fracassadas entre o presidente de esquerda, Gustavo Petro, e Mordisco.
"O terrorismo, quando empregado dessa maneira [...], é porque a pressão é tão forte [...] que a única opção é atacar os mais indefesos", afirmou Sánchez à Blu Radio.
Segundo especialistas consultados pela AFP, o atentado de sábado registrou o maior número de vítimas civis desde o ataque em 2003 ao clube social El Nogal, em Bogotá, que deixou 36 mortos e foi perpetrado pelas extintas Farc.
- 'Insegurança e desestabilização' -
Desde a sexta-feira foram registradas 31 ações da guerrilha em três departamentos do sudoeste do país, disse à AFP uma porta-voz das forças militares.
A ofensiva continuou nesta segunda. Em Jamundí, no departamento de Valle del Cauca, militares encontraram um caminhão carregado com frangos que foi incendiado, constatou um repórter da AFP. Durante a madrugada, em uma área de cultivos de coca em Cauca, uma caminhonete carregada com materiais detonantes explodiu sem deixar vítimas, segundo a imprensa local.
Com uma extensa superfície de cultivos de entorpecentes, o departamento de Cauca é um dos mais assolados pela violência das guerrilhas antes das eleições gerais de 31 de maio.
Para Laura Bonilla, vice-diretora da Fundação Paz e Reconciliação, os ataques fazem parte de uma estratégia de "insegurança e desestabilização" que busca manter o "controle sobre a população civil" na região.
As fileiras de Mordisco buscam "negociar o fim dessa insegurança" com as autoridades locais "em troca de uma redução das ações" das forças de segurança, disse a pesquisadora à AFP.
Petro chamou os rebeldes de "terroristas" e ordenou que as forças de segurança redobrassem a perseguição.
Desde que chegou ao poder em 2022, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia tentou, sem sucesso, negociar a paz com as maiores organizações armadas, que se fortaleceram nos últimos anos.
A expansão desses grupos "fugiu ao controle do governo" e seus efetivos duplicaram em dez anos, chegando a 27.000 combatentes, assinalou o pesquisador da Fundação Ideas para la Paz, Gerson Arias.
Os principais candidatos presidenciais também condenaram os atos de violência.
O herdeiro político de Petro e favorito nas pesquisas de intenção de voto, o senador Iván Cepeda, advertiu sobre o impacto eleitoral na região onde a esquerda tem "um amplo apoio": "Surge uma inquietação legítima sobre se [...] estes fatos buscam gerar um clima de medo que favorece os interesses de setores de extrema direita."
"Não são atos isolados, são parte de um plano de desestabilização do desgoverno de Petro", disse, por sua vez, o candidato de direita e advogado Abelardo de la Espriella, segundo colocado nas pesquisas.
"Este governo permitiu que a violência cresça", afirmou a senadora conservadora Paloma Valencia, candidata do partido do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).
N.Walker--AT