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Marine Le Pen alega 'boa fé' em julgamento por desvio de recursos
A líder da extrema direita francesa Marine Le Pen defendeu, nesta quarta-feira (21), a "boa fé" de seu partido no segundo dia de seu processo de apelação, em Paris, por desvio de fundos europeus, que põe em risco sua candidatura às eleições presidenciais de 2027.
Em março passado, um tribunal de primeira instância a condenou a cinco anos de inelegibilidade imediata, uma decisão que desorganizou o tabuleiro político francês.
Segundo a condenação, Le Pen esteve no "coração" de um "sistema" entre 2004 e 2016 para que os assistentes parlamentares de seu partido no Parlamento Europeu, pagos pela instituição, "na verdade" trabalhassem para o partido, o que é proibido.
A política de 57 anos, que na terça-feira negou ter montado um esquema para desviar recursos europeus, disse nesta quarta-feira, no segundo dia de sua apresentação à Justiça, que se seu partido violou a lei, foi sem intenção.
"Agimos totalmente de boa fé", assegurou.
Ela criticou o Parlamento Europeu que, segundo ela, não foi suficientemente diligente.
"Obviamente que podem nos fazer críticas", admitiu. Mas "a administração do Parlamento Europeu era muito mais permissiva do que é hoje em dia", acrescentou.
Le Pen afirmou, ainda, que a passagem do tempo torna "extremadamente difícil" agora demonstrar sua inocência neste julgamento previsto para se estender até 11 de fevereiro.
A líder da extrema direita, que chegou ao segundo turno nas eleições presidenciais de 2017 e 2022, negou ter cometido intencionalmente um crime de maneira firme, mas com um tom mais moderado do que no julgamento em primeira instância, quando os debates foram mais acalorados.
A mudança de estratégia visaria que, em caso de condenação, a pena de inabilitação ou de prisão lhe permita disputar as eleições presidenciais em 2027, às quais o atual presidente, Emmanuel Macron, não pode se candidatar.
Em março passado, o Tribunal Correcional de Paris a afastou da disputa, ao condená-la a dois anos de prisão sem direito a recurso, uma multa de 100.000 euros (aproximadamente R$ 624.000, na cotação atual) e, sobretudo, a inelegibilidade imediata.
Ela pode ser condenada a uma pena máxima de dez anos de prisão.
O processo em apelação ocorre enquanto a ultradireitista Le Pen ou seu afilhado político, Jordan Bardella, lideram as pesquisas para suceder Macron, de centro-direita, em 2027.
Além de Le Pen, outras 23 pessoas, entre ex-deputados, membros e trabalhadores da antiga Frente Nacional (FN), rebatizada de Reagrupamento Nacional (RN), também foram condenadas, assim como o partido. Doze delas e o próprio partido recorreram da sentença.
O.Brown--AT