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EUA aumenta pressão sobre Cuba enquanto ilha luta contra apagão em massa
Os Estados Unidos aumentaram a pressão na terça-feira (17) sobre as autoridades cubanas para que permitam reformas de livre mercado na ilha comunista, enquanto a empobrecida nação tenta se recuperar de um gigantesco apagão nacional.
Cuba, que reconheceu estar em negociações com Washington, fez alguns anúncios nesse sentido, como o de permitir investimentos na ilha por parte da diáspora cubana.
Mas o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que "não são suficientemente drásticos" os anúncios.
"Isso não vai resolver as coisas", acrescentou Rubio a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, onde acompanhava o presidente Donald Trump na recepção do primeiro-ministro irlandês, Michael Martin.
"Cuba está aberta a manter uma relação comercial fluida com empresas americanas" e "também com cubanos residentes nos Estados Unidos e seus descendentes", anunciou o ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva, em entrevista à rede de televisão americana NBC.
O próprio Trump foi duro na segunda-feira ao afirmar que seria uma "honra tomar Cuba, de alguma forma".
Ao ser questionado sobre os próximos passos em relação à ilha, Trump disse: "Eles estão falando com Marco (Rubio), e vamos fazer algo em breve".
Segundo o jornal americano The New York Times, que cita quatro pessoas com conhecimento das conversas entre os dois países, o governo Trump pressiona para que o presidente Miguel Díaz-Canel deixe o poder.
- Pressão crescente -
Em meio à pressão de Washington, o governo comunista tenta restabelecer a energia elétrica na ilha.
O processo é gradual após um apagão generalizado no contexto de uma grave crise energética que afeta o país, submetido há décadas a um embargo dos Estados Unidos.
Depois do meio-dia local, cerca de 45% das residências de Havana, onde vivem 1,7 milhão de pessoas, voltaram a ter eletricidade, anunciou a empresa estatal de energia UNE.
As autoridades não especificaram até o momento a origem do corte geral ocorrido desde o meio-dia de segunda-feira. Apenas indicaram que não detectaram nenhuma falha na rede.
"O medo é sempre que o apagão se prolongue e que se estrague o pouco que você tem na geladeira, porque tudo está caro", disse à AFP Olga Suárez, uma aposentada de 64 anos, no bairro de Vedado.
"De resto, a gente já está acostumado, porque aqui quase sempre você vai dormir e acorda sem luz", afirma.
A geração de eletricidade do país é sustentada por uma rede de usinas termelétricas envelhecidas, algumas com mais de 40 anos de operação.
A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, sofre há mais de dois anos com cortes massivos e recorrentes, às vezes durante vários dias.
No início de março, dois terços do território, incluindo a capital, já haviam sido afetados por um apagão.
A economia cubana está quase paralisada desde que o governo Trump interrompeu, em janeiro, os envios de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, após a derrubada e captura de Nicolás Maduro, e ameaçou sancionar outros países que vendam combustível a Havana.
A situação obrigou o governo de Díaz-Canel a adotar medidas drásticas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel e o racionamento da gasolina, além da redução de alguns serviços hospitalares.
Além da crise energética e da tensão com os Estados Unidos, os cubanos também passaram por um susto nesta terça-feira, quando um terremoto de magnitude 5,8 sacudiu a costa nas primeiras horas do dia. Não houve relatos imediatos de vítimas ou danos.
burs-sms/msp/mr/mel/am
A.Taylor--AT