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Presidente da Síria anuncia acordo com curdos e cessar-fogo
O presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, anunciou neste domingo (18) um acordo com o chefe das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazloum Abdi, que inclui um cessar-fogo, após o avanço das forças governamentais nas áreas controladas pelos curdos.
Após se reunir com o enviado americano, Tom Barrack, Al-Sharaa declarou no palácio presidencial que recomendou a decretação de "um cessar-fogo total".
O presidente interino detalhou que uma reunião com Abdi foi adiada para amanhã devido ao mau tempo, mas afirmou: "Para acalmar a situação, decidimos assinar o acordo."
Os Estados Unidos têm apoiado os curdos há anos, mas também respaldam as novas autoridades da Síria.
A Presidência publicou o texto do acordo assinado, que possui 14 pontos e inclui a integração das FDS e das forças de segurança curdas aos ministérios da Defesa e do Interior, bem como a entrega imediata das províncias curdas de Deir Ezzor e Raqqa ao controle do governo.
Também determina que Damasco assuma a responsabilidade pela custódia dos prisioneiros do grupo jihadista Estado Islâmico e de suas famílias, detidos em prisões e campos controlados pelos curdos.
O governo interino sírio tenta impor sua autoridade em todo o país após a derrubada de Bashar al-Assad, no fim de 2024. Al-Sharaa chegou à Presidência após liderar a ofensiva que obrigou Assad a fugir.
Na época, ele liderava o grupo islamista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), derivado do braço sírio da Al-Qaeda, e agora enfrenta o desafio de unir um país devastado por anos de guerra civil. Ele reiterou hoje "a necessidade de exercer a soberania sobre todo o território".
Na manhã deste domingo, as forças governamentais anunciaram a retomada da cidade de Tabqa.
- 'Pedimos segurança' -
Os efetivos das FDS, dominados pelos curdos, retiraram-se na madrugada de hoje de todas as zonas que estavam sob seu controle no leste da província de Deir Ezzor, incluindo o campo petrolífero de Al-Omar, o maior do país, indicou uma ONG.
Esse campo estava sob controle curdo desde que suas forças expulsaram o grupo jihadista Estado Islâmico, em 2017. Durante anos, o local abrigou a maior base da coalizão internacional antijihadista, liderada pelos Estados Unidos.
"Pedimos segurança", declarou Ismail al-Omar, um agricultor de 43 anos, afirmando que muitos moradores "permanecem em suas residências, por medo".
Ahmad Husein, por outro lado, expressou esperança de que "a situação melhore com a chegada do exército sírio".
Em mensagem no X, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) pediu ontem ao governo da Síria para "cessar qualquer ação ofensiva nas áreas entre Aleppo e Tabqa".
F.Wilson--AT