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Japão emite alerta de segurança a seus cidadãos na China por choque bilateral sobre Taiwan
O Japão alertou seus cidadãos na China para que aumentem as precauções de segurança e evitem multidões, em um momento de crescente crise diplomática bilateral motivada pelos comentários da primeira-ministra japonesa sobre um hipotético ataque chinês a Taiwan.
Sanae Takaichi, a primeira mulher a governar o Japão, disse há duas semanas no Parlamento que uma operação armada da China contra Taiwan poderia justificar o envio de tropas para apoiar a ilha democrática, que Pequim reivindica como parte de seu território e não descarta recuperar com o uso da força.
"Prestem atenção ao seu entorno e evitem, na medida do possível, praças onde se reúnem grandes multidões ou locais que possam ser frequentados por muitos japoneses", afirmou a embaixada do Japão na China em um comunicado publicado em seu site na segunda-feira (17).
A advertência também exorta os cidadãos japoneses a respeitar "os costumes locais" e pede que tenham "cuidado com suas palavras e atitudes ao interagir com a população local".
Minoru Kihara, porta-voz do governo japonês, acrescentou nesta terça-feira (18) que a recomendação foi emitida "com base em uma avaliação exaustiva da situação política, incluindo a situação de segurança no país ou região em questão, assim como as condições sociais".
A China já havia solicitado, em uma medida similar na semana passada, que seus cidadãos "evitem viajar ao Japão em um futuro próximo".
Questionada sobre a advertência, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim, Mao Ning, disse que o governo "sempre protegeu e continuará protegendo a segurança dos cidadãos estrangeiros na China de acordo com a lei".
Os comentários ocorreram depois que Masaaki Kanai, principal nome da diplomacia do Japão para a região Ásia-Pacífico, teve reuniões na capital chinesa com seu homólogo Liu Jinsong sobre os comentários de Takaichi, uma antiga crítica de Pequim que tentou moderar seu discurso nos últimos meses.
Mao disse que Pequim reiterou um "protesto veemente" a Tóquio durante as conversas.
"As falácias de Takaichi violam gravemente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais", afirmou a porta-voz. Ela acrescentou que os comentários "prejudicam fundamentalmente a base política das relações entre China e Japão".
Em um discurso no Parlamento em 7 de novembro, Takaichi justificou sua posição com base na "legítima defesa coletiva", ao considerar que Taiwan fica a apenas 100 quilômetros da ilha japonesa mais próxima.
- Bolsa e cinema afetados -
A China reagiu com muita irritação aos comentários de Takaichi, pediu uma retratação e convocou o embaixador japonês.
Em uma publicação na rede social X em 8 de novembro, o cônsul-geral chinês em Osaka, Xue Jian, ameaçou "cortar aquele pescoço sujo", em uma aparente referência a Takaichi, que assumiu o cargo em outubro.
Tóquio também convocou o embaixador chinês por esta mensagem, que foi apagada pouco depois.
A disputa bilateral teve consequências em várias esferas sociais dos dois países asiáticos.
A imprensa estatal da China informou nesta terça-feira que as estreias no país dos filmes japoneses "Crayon Shin-chan the Movie: Super Hot! The Spicy Kasukabe Dancers" e "Cells at Work!" foram adiadas devido às tensões.
"Os comentários provocativos do Japão afetarão, inevitavelmente, a percepção do público chinês sobre os filmes japoneses", afirmou a China Film News, publicação supervisionada pela Administração Cinematográfica da China, apoiada pelo Estado.
A tensão também afetou o ânimo dos investidores na Bolsa. O índice japonês Nikkei 225 perdeu mais de 3% nesta terça-feira.
As ações do setor turístico e de varejo japonês também desabaram na segunda-feira, depois que a China recomendou que seus cidadãos evitassem o Japão, um destino turístico muito popular entre os chineses.
Li Hanming, analista de aviação, disse à AFP que, desde 15 de novembro, quase 500.000 passagens aéreas da China para o Japão foram canceladas.
As duas principais economias da Ásia estão estreitamente interligadas, com a China sendo a maior fonte de turistas — quase 7,5 milhões de visitantes nos primeiros nove meses de 2025 — para o Japão.
B.Torres--AT