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"Trump é temporário", diz governador da Califórnia na COP30
Na ausência de Donald Trump na COP30, o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, esteve presente nesta terça-feira (11) em Belém do Pará para defender a luta contra a mudança climática e, de quebra, atacar seu inimigo político.
Os Estados Unidos, a maior economia do mundo e o segundo maior emissor de gases de efeito estufa depois da China, estão ausentes pela primeira vez de uma conferência climática mundial.
Contrariando os estudos científicos, Trump considera o aquecimento global "a maior farsa" da história, ao mesmo tempo em que promove a exploração de combustíveis fósseis.
Newsom, possível candidato às eleições presidenciais de 2028, teve na COP30 uma agenda e uma atenção à altura de uma autoridade nacional, com reuniões com o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, entre outros.
E aproveitou a oportunidade para disparar contra seu adversário republicano.
"Ele está dobrando a aposta na estupidez", disse o governador. Mas "Trump é temporário", acrescentou.
Em Belém, Newsom deixou claro que os democratas desejam voltar ao Acordo de Paris para limitar o aquecimento global.
Um presidente dos EUA eleito pelo Partido Democrata retornaria ao acordo "sem hesitar", disse Newsom a jornalistas em resposta a uma pergunta da AFP.
"É um compromisso moral, uma necessidade econômica, é as duas coisas, e é uma abominação que tenha se retirado duas vezes", acrescentou o governador durante uma visita a um centro de bioeconomia na capital paraense.
Lá, ele provou especialidades da culinária amazônica, como o açaí e o cupuaçu.
Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Em seu segundo mandato, a decisão entrará em vigor em janeiro de 2026.
Newsom, de 58 anos, destacou que a Califórnia obtém atualmente dois terços de sua eletricidade a partir de energias renováveis.
— "Intimidação indireta" —
Embora o governo de Trump não tenha enviado uma delegação à COP30, alguns líderes locais e regionais americanos compareceram a Belém para representar o país, como Newsom e a governadora do Novo México, a também democrata Michelle Lujan Grisham.
O objetivo, disse Grisham, é "mostrar que, quando o governo federal se compromete, nós fazemos mais; e quando ele se omite, [também] fazemos mais".
A costarriquenha Christiana Figueres, uma das arquitetas do Acordo de Paris, disse nesta terça-feira que a COP30 era melhor sem Trump.
"É positivo. Eles devem trabalhar por meio dos sauditas, como já fizeram em outros contextos. Mas não estão aqui pessoalmente (...) e não poderão exercer sua intimidação direta. Sem dúvida, [o farão de forma] indireta", disse.
— Governo federal vs. estados —
Os estados americanos podem, se assim desejarem, continuar avançando no Acordo de Paris, mesmo sem participar das negociações, segundo Champa Patel, diretora executiva da organização internacional Climate Group.
"Mesmo que os governos nacionais retrocedam ou minem seus próprios compromissos, os governos subnacionais, cidades, estados estão realmente na vanguarda da implementação", acrescentou.
Uma análise recente do Centro de Sustentabilidade Global da Universidade de Maryland destacou que, se os estados e cidades líderes intensificarem suas ações — e se um presidente pró-clima for eleito em 2028 —, as emissões dos Estados Unidos poderiam ser reduzidas até meados da década de 2050 em relação a 2005, e se aproximar da meta de 61–66% estabelecida pelo governo de Joe Biden.
A transição verde impulsionada pelo mercado continua sendo um fator forte mesmo em estados americanos com liderança hostil à agenda climática, como o Texas, que foi o líder em geração de energia renovável do país no ano passado.
Em nível federal, o governo Trump não é contido.
Os republicanos aprovaram recentemente uma lei que encerra antecipadamente os créditos fiscais para energia limpa promulgados sob a administração de Biden, um golpe potencialmente devastador para o setor de energias renováveis.
Washington também retirou fundos para o desenvolvimento de energias limpas e tornou muito mais difícil a obtenção de licenças, especialmente para projetos eólicos, pelos quais Trump tem uma forte aversão pessoal.
A.Anderson--AT