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Trump se recusa a pedir desculpas por vídeo racista que retratava casal Obama como macacos
O presidente Donald Trump se recusou, na sexta-feira (6), a pedir desculpas pelo vídeo publicado em sua conta nas redes sociais que retratava o ex-mandatário Barack Obama e sua esposa, Michelle, como macacos, embora tenha dito que condenava esta publicação que, segundo a Casa Branca, foi responsabilidade de um membro da equipe.
O vídeo publicado na conta do presidente republicano em sua plataforma Truth Social provocou críticas em todo o espectro político dos Estados Unidos. Inicialmente, a Casa Branca classificou as reações em torno do vídeo como "falsa indignação", para depois atribuí-la a um membro da equipe e apagá-la.
"Eu não cometi um erro", disse Trump a bordo do Air Force One na noite de sexta-feira, quando questionado se pediria desculpas pela publicação.
Ao ser perguntado se condenava as imagens racistas do vídeo, o magnata respondeu: "Claro que sim".
O meme de um segundo aparecia inserido dentro de um vídeo que Trump publicou na Truth Social, com teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020, que ele perdeu para o democrata Joe Biden.
"Um membro da equipe da Casa Branca realizou a publicação por erro. Ela já foi removida", declarou um funcionário da Casa Branca à AFP.
Trump disse nesta sexta que não viu o vídeo todo antes de publicá-lo.
"Só vi a primeira parte... e não o vi completo", disse a jornalistas. Acrescentou, ainda, que "passou" o vídeo para sua equipe para que fosse publicado e que eles também não o assistiram por completo.
A imagem é, na verdade, parte de outro vídeo, satírico, criado aparentemente por um apoiador de Trump, no qual o presidente republicano aparece como um leão, rei da selva, e numerosos políticos, entre eles o casal Obama, como animais que o reverenciam e fazem palhaçadas.
Adepto das redes sociais, o mandatário republicano costuma republicar todo tipo de vídeos, documentos e memes, alguns criados com inteligência artificial, de conteúdo humorístico ou não.
As principais lideranças democratas condenaram a publicação como "racista".
"Por favor, deixem a falsa indignação de lado e publiquem hoje algo que realmente importa para o público americano", pediu a porta-voz de Trump em um comunicado enviado à AFP.
Barack e Michelle Obama ainda não se pronunciaram sobre o caso.
A ex-vice-presidenta Kamala Harris, que condena frequentemente a retórica racial divisiva de Trump, criticou o recuo da Casa Branca em uma publicação no X na sexta-feira.
"Ninguém acredita neste acobertamento por parte da Casa Branca, especialmente dado que, originalmente, eles defenderam esta publicação", escreveu a ex-candidata democrata derrotada nas eleições presidenciais pelo republicano.
"Todos sabemos muito bem quem é Donald Trump e no que ele acredita", acrescentou.
- Reações -
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, possível candidato democrata à Presidência em 2028 e crítico destacado de Trump, reagiu duramente à publicação.
"Comportamento repugnante por parte do presidente. Todo republicano deveria denunciá-lo. Agora", escreveu a assessoria de imprensa de Newsom na rede social X.
Nessa mesma rede, o senador republicano Tim Scott, aliado de Trump, também reagiu de forma negativa.
"Rezo para que isso seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca. O presidente deveria remover isso", disse.
Outro senador republicano, Roger Wicker, considerou a postagem "totalmente inaceitável" e afirmou que "o presidente deveria apagá-la e pedir desculpas".
Ben Rhodes, ex-assessor de Segurança Nacional e confidente próximo de Obama, também condenou as imagens.
"Os americanos do futuro vão abraçar os Obama como figuras queridas, enquanto ele [Trump] será estudado como uma mancha em nossa história", escreveu no X.
- Conspiração -
Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris na campanha de 2024.
Trump mantém há anos uma rivalidade amarga com Obama (2009-2017), e demonstrou irritação com a popularidade do democrata e com o fato de ele ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
No primeiro ano de seu segundo mandato, Trump intensificou a publicação de imagens feitas com inteligência artificial na Truth Social e em outras plataformas, frequentemente para se glorificar e ridicularizar críticos.
No ano passado, o mandatário publicou um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval e depois atrás das grades.
Em seguida, divulgou um clipe de IA do líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, com bigode falso e chapéu de mariachi. Jeffries classificou a imagem como racista.
burs-dk/jz/nn/cjc/lm/aa/am/rpr/yr
T.Wright--AT