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China recebe líderes latino-americanos para reforçar aproximação
A China recebe a partir desta segunda-feira (12) vários líderes latino-americanos em Pequim para o IV Fórum Ministerial China-Celac, que visa uma aproximação entre o país e a região como resposta à guerra comercial com os Estados Unidos.
Pequim intensificou a cooperação econômica e política com países latino-americanos nos últimos anos e defende a formação de uma frente unida contra a recente onda de tarifas do presidente americano, Donald Trump.
Dois terços dos países latino-americanos aderiram à Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês) de Pequim, um programa de infraestrutura avaliado em um trilhão de dólares (5,71 trilhões de reais). Além disso, a China superou os Estados Unidos como principal parceiro comercial de Brasil, Peru e Chile, entre outros.
O fórum entre a China e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que tem 33 membros, começará oficialmente na terça-feira (13).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Pequim no sábado para uma visita de Estado de cinco dias.
Lula tem buscado melhorar as relações com China e com os Estados Unidos desde que voltou ao poder no início de 2023.
As exportações brasileiras para a China superaram os 94 bilhões de dólares (536 bilhões de reais) no ano passado, segundo a base de dados ComTrade das Nações Unidas.
O Brasil, potência agrícola sul-americana, exporta principalmente soja e outros produtos básicos para a China, enquanto o gigante asiático vende semicondutores, telefones, veículos e medicamentos ao Brasil.
Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, se encontrou com seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, na Casa de Hóspedes do Estado Diaoyutai em Pequim.
No mesmo local, Wang Yi também teve encontros bilaterais com seus homólogos venezuelano Yvan Gil, peruano Elmer Schialer e uruguaio Mario Lubetkin.
O fórum também deve contar com as presenças dos presidentes colombiano, Gustavo Petro, e chileno, Gabriel Boric.
Petro anunciou na semana passada que assinará uma "carta de intenção" para aderir à BRI quando se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, nos próximos dias.
Xi participará da cúpula em sua cerimônia inaugural na terça-feira, segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês.
Um funcionário de alto escalão do ministério declarou no domingo que Pequim "sempre abordou o desenvolvimento das relações entre a China e a América Latina com uma perspectiva estratégica e de longo prazo".
A China considera que os países da América Latina e do Caribe "são atores importantes nos processos de multipolaridade mundial e globalização econômica", disse no domingo o vice-ministro das Relações Exteriores, Miao Deyu.
"Os povos da América Latina e do Caribe buscam construir sua própria pátria, não servir como quintal de nenhum outro país", acrescentou, em uma referência velada aos Estados Unidos.
A China está "disposta a fortalecer a comunicação e a coordenação com os países latino-americanos" diante das tarifas americanas e a "trabalhar em conjunto para (...) se opor ao unilateralismo e à intimidação econômica", acrescentou Miao.
N.Walker--AT