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Ataques aéreos do Paquistão provocam dezenas de mortes no leste do Afeganistão
Ataques aéreos paquistaneses provocaram dezenas de mortes no leste do Afeganistão, afirmou o governo talibã, que relatou vítimas civis, apesar de Islamabad ter anunciado que atingiu uma facção dos talibãs paquistaneses.
O Paquistão efetuou uma série de ataques nos últimos meses contra o Afeganistão, país que acusa de abrigar combatentes do movimento dos talibãs paquistaneses Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP). As autoridades afegãs rejeitam a acusação.
Segundo o ministro da Informação do Paquistão, Ataullah Tarar, "três alvos situados nas províncias de Paktia, Paktika e Kunar foram destruídos durante ataques" na noite de domingo. Ele informou que 25 combatentes morreram na operação.
A ofensiva também incluiu operações terrestres nas regiões fronteiriças. O alvo foi, segundo o ministro, o Jamaat ul Ahrar, uma facção dos talibãs paquistaneses do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) que intensificou os ataques nos últimos anos no Paquistão.
Tarar disse que as operações são uma retaliação a um ataque executado na noite de sábado contra um acampamento da força paramilitar dos 'Rangers' paquistaneses em Karachi (sul), além de incidentes recentes nas províncias fronteiriças.
Em um comunicado publicado no domingo, o Exército paquistanês acusou o grupo Jamaat-ul-Ahrar pelo ataque "covarde" contra um acampamento dos 'Rangers' na capital de Sindh.
Segundo o porta-voz adjunto do governo afegão, Hamdullah Fitrat, os ataques mataram "36 civis, incluindo mulheres e crianças, e outras 163 pessoas ficaram feridas".
"Quando os moradores estavam reunidos para as operações de resgate, a área foi bombardeada pela segunda vez", denunciou.
Os confrontos esporádicos entre os dois vizinhos se transformaram em uma guerra aberta no fim de fevereiro.
Pelo menos 372 civis afegãos morreram na espiral de violência entre 1º de janeiro e 31 de março, segundo um relatório da ONU publicado em maio.
Uma trégua de alguns dias foi respeitada em março, mas os ataques prosseguiram desde então.
As relações entre Paquistão e Afeganistão pioraram consideravelmente desde que os talibãs tomaram o poder pela segunda vez em Cabul, em 2021.
Os esforços de mediação conduzidos por vários países, incluindo a China, não avançaram e a fronteira está em grande parte fechada desde o aumento da violência, em outubro do ano passado.
J.Gomez--AT