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Ucrânia denuncia ataques da Rússia durante trégua decretada por Putin
A Ucrânia acusou nesta quinta-feira (8) a Rússia de executar ataques limitados ao nordeste de Sumy, mas sem utilizar mísseis ou drones, em meio a uma trégua de três dias ordenada unilateralmente pelo presidente russo, Vladimir Putin.
A ordem de Putin coincide com as celebrações do 80º aniversário da vitória sobre o nazismo no final da Segunda Guerra Mundial, que reúnem em Moscou quase 30 governantes estrangeiros, incluindo o chinês Xi Jinping e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
"Até 8h00 não foram registrados ataques com mísseis ou drones no espaço aéreo ucraniano. Durante a noite, no entanto, a aviação tática inimiga lançou bombas guiadas na região de Sumy", afirmou a Força Aérea ucraniana.
Uma bomba caiu em uma área residencial perto de Bilopillia, uma localidade próxima da fronteira com a região russa de Kursk, segundo os serviços de emergência.
Andrii Kovalenko, comandante do centro ucraniano responsável por combater a desinformação, disse que a Rússia "viola a trégua ao atacar a região de Sumy".
A Ucrânia não aceitou a proposta de trégua, que chamou de farsa, e pediu um cessar-fogo de 30 dias.
Poucas horas antes da entrada em vigor da pausa, os dois países trocaram ataques aéreos, que deixaram dois mortos na Ucrânia e provocaram o fechamento de aeroportos em Moscou e outras cidades russas devido à aproximação de drones inimigos.
O aeroporto de Nizhni Nóvgorod, no oeste da Rússia, permaneceu fechado por uma hora e meia nesta quinta-feira "para garantir a segurança dos aviões civis", segundo um porta-voz da Agência Federal de Transporte Aéreo.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, insistiu mais uma vez em seu discurso vespertino de quarta-feira na proposta de um cessar-fogo de 30 dias.
"Não retiramos esta proposta, que poderia dar uma oportunidade à diplomacia. Mas o mundo não vê nenhuma resposta da Rússia", afirmou.
- Celebrações com grande esquema de segurança -
Putin anunciou a trégua no mês passado como um gesto "humanitário", depois de semanas de pressão do presidente americano Donald Trump para interromper os mais de três anos de guerra na Ucrânia.
O líder do Kremlin havia rejeitado em março uma proposta conjunta de Estados Unidos e Ucrânia para um cessar-fogo incondicional. Desde então, apenas ofereceu pequenas contribuições aos esforços de paz de Trump.
A Ucrânia não confia que a Rússia respeite a trégua unilateral e acusa Moscou de múltiplas violações durante um cessar de hostilidades de 30 horas decretado por Putin durante a Páscoa.
As comemorações do 9 de maio são fundamentais para o culto patriótico da vitória de 1945 promovido pelo Kremlin, que afirma que a ofensiva na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022 e deixou milhares de mortos em ambos os lados, é uma extensão da guerra contra Hitler.
O ponto culminante das comemorações é a parada militar, prevista para sexta-feira, na Praça Vermelha, que contará com a presença de quase 30 líderes estrangeiros.
"Nosso Exército e os serviços especiais estão tomando todas as medidas necessárias para assegurar que a celebração da grande vitória ocorra em um ambiente calmo, estável e pacífico", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Por exemplo, explicou que as autoridades haviam limitado o acesso à internet em Moscou antes da parada para prevenir "o perigo" procedente da Ucrânia, que lançou numerosos drones contra a Rússia nos últimos dias.
"Precisamos levar em conta este perigoso vizinho que temos", afirmou Peskov. "Enquanto nossos convidados estiverem aqui, até 10 de maio, temos que estar preparados para restrições", disse ele aos moscovitas.
- Vance pede "negociações diretas" -
O Exército russo lançou cinco mísseis balísticos e 187 drones contra a Ucrânia, informou a Força Aérea ucraniana na quarta-feira. Pelo menos dois mísseis e 81 drones foram interceptados.
Em Kiev, uma mãe e seu filho morreram e outras sete pessoas ficaram feridas, incluindo quatro crianças.
Segundo Zelensky, os oblasts (regiões administrativas) de Zaporizhzhia, Donetsk, Zhytomyr, Kherson e Dnipro também foram atingidos.
Após os ataques, o presidente ucraniano pediu uma "pressão ainda maior e sanções mais severas" contra Moscou, ao considerar que essa é a única maneira de "abrir a via da diplomacia".
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, pediu "negociações diretas" entre Kiev e Moscou, a única maneira de acabar com o conflito, depois de quase três meses de negociações separadas, impulsionadas por Washington, que não produziram resultados.
H.Romero--AT