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Governo venezuelano afirma que saída de opositores aos EUA foi negociada
O governo da Venezuela afirmou nesta quarta-feira (7) que a saída para os Estados Unidos de um grupo de opositores refugiados na embaixada argentina em Caracas foi resultado de uma "negociação", em contraste com Washington e a oposição venezuelana que a descreveram como uma "operação de resgate".
Os opositores, colaboradores da dirigente María Corina Machado, chegaram aos Estados Unidos na noite de terça-feira, segundo o secretário de Estado americano Marco Rubio, que falou de um "resgate", sem oferecer detalhes.
Mas o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, o primeiro alto funcionário do país a se pronunciar sobre o tema, garantiu que a saída do grupo foi concretizada depois de uma "negociação".
"Tudo é negociado", disse Cabello em seu programa de TV. "Segundo eles [foi] uma operação tipo 'Missão Impossível' em Caracas", ironizou.
Além disso, Cabello indicou que as negociações incluíram a saída para Bogotá de Corina Parisca de Machado, mãe da líder opositora, que, segundo o funcionário, deixou a Venezuela em 5 de maio.
Os opositores haviam se refugiado na embaixada argentina em Caracas em 20 de março de 2024, diante de uma escalada de prisões anterior às eleições de 28 de julho, nas quais Maduro foi declarado vencedor para um terceiro mandato entre denúncias de fraude.
Segundo a oposição, o governo negou-se até o último momento a conceder os salvo-condutos aos refugiados.
Desde agosto de 2024, a embaixada da Argentina em Caracas está sem pessoal diplomático devido ao rompimento de relações como resposta à recusa do presidente argentino Javier Milei a reconhecer a reeleição de Maduro, por isso o Brasil assumiu a custódia da sede diplomática com autorização de Caracas.
Um mês depois, Caracas revogou a permissão ao Brasil, mas o governo de Luiz Inácio Lula da Silva seguiu defendendo os interesses argentinos.
Desde abril do ano passado, "o Brasil gestionou inúmeras vezes, no mais alto nível, para que fossem concedidos os salvo-condutos necessários", indicou nesta quarta um comunicado do Itamaraty.
Mas "as reiteradas gestões não foram atendidas, o que prolongou a difícil situação humanitária na residência da embaixada argentina em Caracas", ressaltou o ministério.
No início eram seis refugiados, mas, em dezembro de 2024, um deles, Fernando Martínez Mottola, se entregou às autoridades e obteve a liberdade condicional. Ele morreu em 26 de fevereiro por problemas de saúde.
Segundo Cabello, apenas quatro opositores estavam na sede diplomática, e não cinco como aponta a oposição.
T.Perez--AT