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Merz enfrenta a árdua missão de formar o governo na Alemanha
O vencedor das eleições legislativas na Alemanha, o conservador Friedrich Merz, prometeu nesta segunda-feira (24) que iniciará a árdua tarefa de formar um novo governo de coalizão, que os europeus aguardam ansiosamente para lidar com Donald Trump e a Rússia.
"O mundo exterior não está esperando por nós", declarou Merz, que alertou sobre o perigo da paralisação em Berlim, no momento em que o presidente dos Estados Unidos abala a ordem internacional, a economia alemã enfrenta a recessão e a sociedade está dividida.
O líder dos conservadores alemães insistiu que a Ucrânia "deve fazer parte das negociações de paz", depois que Trump iniciou conversações diretas com o presidente russo Vladimir Putin, sem a participação de Kiev ou dos países europeus.
"A Europa continua firmemente ao lado da Ucrânia", declarou, enquanto vários líderes europeus se reuniam em Kiev no dia em que a invasão russa completa três anos.
Após a vitória nas eleições de domingo, Merz advertiu que uma Europa unida deve reforçar sua própria defesa e não ter "ilusões com o que virá dos Estados Unidos".
O bloco de partidos conservadores CDU/CSU venceu com mais de 28% dos votos, superando a Alternativa para a Alemanha (AfD), legenda de extrema direita e anti-imigração, que alcançou um recorde de mais de 20%.
Em terceiro e quarto lugares ficaram os social-democratas (SPD), do atual chefe de Governo Olaf Scholz, e os Verdes.
Após uma campanha intensa, dominada por questões migratórias, Merz terá que se aproximar de seus rivais nas eleições para formar uma coalizão.
- "Tarefa hercúlea" -
O SPD participará das negociações sem Scholz, que assumiu a responsabilidade por uma "derrota amarga", com apenas 16% dos votos.
Seu popular ministro da Defesa, Boris Pistorius, deve ter um papel mais ativo.
Merz também precisará estabelecer uma comunicação com Trump, que chamou a vitória conservadora de "grande dia para a Alemanha".
"As pessoas na Alemanha se cansaram da agenda sem senso comum, especialmente em energia e imigração", declarou Trump.
Para poder governar, Merz será obrigado a negociar as políticas e as 'linhas vermelhas' do partido para elaborar uma plataforma para uma futura aliança.
"São condições iniciais difíceis para um novo governo alemão, que enfrenta uma tarefa hercúlea na política interna e externa", comentou a professora Cornelia Woll, da 'Hertie School' de Berlim.
"Espera-se que a Alemanha consiga agir rapidamente para não ver Trump e Putin moldando o futuro", disse.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que espera trabalhar com Merz por uma "Europa forte e soberana", enquanto o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, expressou seu desejo de "fortalecer a Europa" ao lado da Alemanha.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, convidou Merz a trabalhar "unidos para enfrentar desafios comuns". O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também parabenizou o líder conservador e expressou o desejo de visitar a Alemanha, apesar da ordem de detenção internacional da qual é objeto.
- "Decepcionado e frustrado" -
Os resultados provisórios divulgados na manhã de segunda-feira indicam que Merz evitou um grande problema porque a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), 'conservadora de esquerda', parece não ter alcançado por pouco os 5% de votos necessários para entrar no Parlamento.
Menos partidos facilitam a obtenção de uma maioria. A presença da BSW no Parlamento teria obrigado Merz a estabelecer uma coalizão com três legendas, repleta de obstáculos como a liderada por Scholz.
"A Alemanha aprendeu da pior maneira nos últimos três anos que este tipo de coalizão é qualquer coisa menos estável e limita seriamente a capacidade de ação do governo", explicou Woll.
O partido liberal FDP, que provocou a queda do governo de Scholz, também não superou por pouco a barreira de 5%.
Merz e os outros partidos prometeram rejeitar as propostas da AfD e manter a extrema direita distante do poder.
Alice Weidel, líder da AfD, pediu nesta segunda-feira que os outros partidos abandonem o 'cordão sanitário' contra seu partido.
"Não podem excluir milhões de eleitores. É antidemocrático. O cordão sanitário deve desaparecer", afirmou.
Joerg Seiffert, de 69 anos e terapeuta em Berlim, disse estar "muito decepcionado e frustrado com o avanço da AfD". "O pior seria se, depois de tudo, a CDU unisse forças com a AfD".
H.Gonzales--AT