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EUA retoma linha-dura contra Venezuela e apreende segundo avião
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, supervisionou nesta quinta-feira (6) a apreensão de um segundo avião pertencente ao governo esquerdista da Venezuela, que estava retido na República Dominicana, retomando uma postura mais dura após a aproximação diplomática entre Washington e Caracas.
Este é o segundo avião da Venezuela apreendido pelos Estados Unidos em menos de um ano, mas o primeiro gesto de linha-dura da administração de Donald Trump, que, durante seu primeiro mandato, impôs uma série de sanções contra a Venezuela, incluindo um embargo petrolífero, com a intenção de derrubar Nicolás Maduro.
Na presença de Rubio, um promotor dominicano e um representante das forças de segurança dos Estados Unidos colocaram um cartaz com a palavra "apreendido" no avião Dassault Falcon 200, de bandeira venezuelana, que estava na pista de aterrissagem militar de Santo Domingo.
"A apreensão deste avião venezuelano, utilizado para evitar as sanções americanas e o [controle de] lavagem de dinheiro, é um poderoso exemplo de nossa determinação de responsabilizar o regime ilegítimo de Maduro por suas ações ilegais", disse Rubio no X, ao finalizar seu primeiro giro como secretário de Estado por cinco países da América Latina.
"Com a República Dominicana e nossos parceiros regionais, continuaremos contra-atacando qualquer plano para evitar as sanções dos Estados Unidos", acrescentou.
A apreensão "é marketing político dos Estados Unidos", afirmou uma fonte diplomática em Caracas, sob condição de anonimato, lembrando que esse avião estava retido desde o ano passado depois que as autoridades de Washington alegaram que havia violado as sanções impostas contra a Venezuela.
Segundo o Departamento de Estado, funcionários da Venezuela usaram essa aeronave para voar para Grécia, Turquia, Rússia, Nicarágua e Cuba, e a haviam levado à República Dominicana para manutenção.
De acordo com o governo dos Estados Unidos, o aparelho também foi utilizado em 2019 pelo então ministro de Petróleo, Manuel Quevedo, para participar de uma reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) nos Emirados Árabes Unidos.
- Primeira apreensão -
Em setembro do ano passado, durante a administração do ex-presidente Joe Biden, outro avião oficial da Venezuela, um Dassault Falcon 900EX, foi confiscado na República Dominicana e levado para o estado da Flórida.
As autoridades dos Estados Unidos afirmaram que o avião havia sido comprado "ilegalmente" por 13 milhões de dólares (R$ 75 milhões), por meio de uma empresa fantasma, e contrabandeado para uso de Maduro e seus aliados.
Trump, então candidato à presidência para um segundo mandato, chamou de "estúpidos" os "líderes" democratas pela apreensão do avião, alegando que Maduro poderia comprar "um muito maior e melhor com todo o dinheiro" que o país norte-americano paga à Venezuela pelo petróleo que não precisa.
A apreensão do Dassault Falcon 900EX ocorreu no meio da crise política intensificada pela reeleição de Maduro para um terceiro mandato consecutivo, desconhecido por Washington devido a alegações de fraude.
A oposição venezuelana reivindica uma vitória nas urnas do diplomata Edmundo González Urrutia, exilado após uma ordem de detenção contra ele.
Trump prometeu por muito tempo tomar medidas drásticas contra Maduro e, em seu primeiro mandato, tentou sem sucesso destituí-lo, após um amplo questionamento internacional sobre a legitimidade da primeira reeleição de Maduro em 2018.
- Deportações -
No dia 31 de janeiro, Richard Grenell, enviado especial de Trump, viajou a Caracas para se reunir com Maduro e conseguiu a libertação de seis prisioneiros americanos, além de um acordo para que Caracas aceitasse venezuelanos deportados dos Estados Unidos.
Maduro afirmou que as conversas ocorreram em um clima de "respeito mútuo", mas Rubio e outros funcionários americanos insistiram em que o encontro não altera a postura de Washington.
"A Venezuela é um problema de segurança nacional, não apenas de falta de democracia", disse Rubio aos jornalistas na quarta-feira, na Guatemala.
"Trata-se de um governo, um regime, que prejudicou mais de sete milhões de venezuelanos e todos os países vizinhos que tiveram que enfrentar a realidade dessa migração em massa", afirmou, referindo-se aos venezuelanos que partiram.
Grenell também pressionou Maduro a aceitar o retorno dos venezuelanos deportados dos Estados Unidos.
Pouco depois de assumir o cargo, Trump retirou a proteção contra a deportação de aproximadamente 600 mil venezuelanos nos Estados Unidos.
Em junho de 2022, um avião Boeing 747 venezuelano-iraniano foi retido na Argentina e destruído nos Estados Unidos em janeiro de 2024, o que Caracas chamou de "roubo".
M.Robinson--AT