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Prazo dado por Musk para demissão de funcionários dos EUA se aproxima
Mais de dois milhões de funcionários públicos dos Estados Unidos têm até a meia-noite para pedir demissão com uma indenização equivalente a oito meses de salário ou arriscar-se a serem demitidos imediatamente, de acordo com um plano do bilionário Elon Musk para reduzir a administração pública.
Musk, o homem mais rico do mundo e um dos principais doadores da campanha eleitoral do presidente Donald Trump, está à frente de um Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) com o objetivo de cortar gastos em agências federais.
Segundo a imprensa americana, apenas cerca de 40 mil funcionários aceitaram, até o momento, a proposta de renúncia.
A iniciativa angustiou os funcionários, que enfrentam diariamente ataques verbais da equipe de Trump desde que o republicano voltou à Casa Branca em 20 de janeiro.
Sindicatos e democratas questionam a legalidade das demissões dos servidores públicos.
Um juiz federal em Massachusetts agendou uma audiência para esta quinta-feira (6) sobre uma ação movida por sindicatos que buscam uma medida cautelar contra o prazo dado por Musk. Cerca de 800 mil funcionários são representados por esses sindicatos.
A medida do chefe da SpaceX, Tesla e da rede social X abalou profundamente as agências que por décadas administraram a principal economia mundial, abrangendo áreas que vão desde educação até inteligência nacional.
A Usaid, agência governamental responsável pela distribuição de ajuda ao redor do mundo, ficou paralisada, com ordens para que o pessoal permanecesse em casa. A Casa Branca e meios de direita a acusam de desperdício de recursos.
Trump também pretende fechar o Departamento de Educação, e colaboradores de Musk causaram alvoroço ao tentar acessar um sistema de pagamentos altamente protegido do Departamento do Tesouro.
Os incentivos de demissão foram estendidos até mesmo à CIA. Segundo um relatório do The New York Times, a agência enviou à Casa Branca uma lista de oficiais de menor escalão, mais fáceis de demitir.
A lista, indicou o Times, continha nomes e iniciais dos sobrenomes dos agentes, mas foi enviada por um e-mail não sigiloso, levantando preocupações de que adversários estrangeiros possam ter acesso a suas identidades.
O "terremoto administrativo" parece imparável: um funcionário da agência que gerencia as propriedades do governo defendeu que a carteira imobiliária, com exceção dos prédios do Departamento de Defesa, seja reduzida em "pelo menos 50%".
- "Lacaios" de Musk -
Os funcionários que considerarem a oferta enfrentam incertezas, entre elas a dúvida se Trump tem o direito legal de fazer essa proposta e se as condições serão cumpridas.
O plano foi anunciado pela primeira vez em um e-mail enviado para grande parte da administração, intitulado "Bifurcação no Caminho", o mesmo que Musk enviou a todos os funcionários do Twitter quando comprou a plataforma em 2022 e a renomeou como X.
O bilionário declarou que as renúncias são uma oportunidade para "tirar férias" ou "simplesmente assistir a filmes" e relaxar.
Mas os sindicatos alertam que, sem a aprovação do Congresso para o uso de fundos orçamentários federais, os acordos podem não ter validade.
"Os funcionários federais não devem se deixar enganar pela retórica de bilionários não eleitos e seus lacaios", alertou Everett Kelley, presidente da Federação Americana de Funcionários do Governo (AFGE).
"Ao contrário do que afirmam, esse plano de demissão diferida não tem financiamento, é ilegal e não oferece garantias. Não vamos ficar de braços cruzados e permitir que nossos membros se tornem vítimas dessa farsa", acrescentou.
A ação legal de Massachusetts também questiona, por razões éticas, se os trabalhadores poderiam procurar outros empregos durante os oito meses de indenização.
Um funcionário do Escritório de Administração de Pessoal dos Estados Unidos, onde Musk colocou sua equipe em cargos-chave, admitiu que o plano era fomentar renúncias por meio do "pânico".
"Não estamos buscando uma medida ordenada para reduzir o tamanho do governo", disse à AFP.
"Estamos tentando causar pânico para que as pessoas simplesmente saiam e deixem o governo em estado de paralisia, o que é parcialmente o objetivo", acrescentou a fonte, que pediu anonimato.
E.Flores--AT