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Biden recebe opositor venezuelano González Urrutia em Washington
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, receberá na segunda-feira o líder da oposição venezuelana, Edmundo González Urrutia, que alega ter vencido a eleição contra Nicolás Maduro e, assim como o líder chavista, promete tomar posse na Venezuela na sexta-feira.
Horas antes, o apadrinhado político da líder da oposição Maria Corina Machado elevou o tom ao enviar uma mensagem às forças Armadas, que juraram “lealdade absoluta” a Maduro.
“No dia 10 de janeiro, pela vontade soberana do povo venezuelano, devo assumir o papel de comandante em chefe”, disse ele em um vídeo postado em suas redes sociais.
Até o momento, a Casa Branca não incluiu González Urrutia na agenda, mas uma fonte americana familiarizada com a reunião confirmou à AFP que Biden o receberá na segunda-feira.
À tarde, Biden deve viajar para Nova Orleans e depois para Los Angeles.
- OEA e congressistas -
González Urrutia também estava programado para participar de uma reunião do Conselho Permanente da OEA, o órgão executivo da instituição, mas ela foi cancelada devido à nevasca em Washington, disseram fontes da oposição à AFP.
Durante sua visita de dois dias, González Urrutia se reunirá com membros do Congresso, incluindo o senador republicano Rick Scott, que é próximo ao presidente eleito Donald Trump.
Não se sabe se ele falará com Trump, que sucederá Biden no cargo em 20 de janeiro. Marco Rubio, o futuro chefe da diplomacia dos EUA, é um oponente ferrenho de Maduro, a quem chamou de “ditador”.
González Urrutia, que está exilado na Espanha desde setembro, prometeu retornar ao seu país para tomar posse como presidente “de qualquer maneira”.
Antes disso, ele embarcou em um giro internacional. No fim de semana, ele se reuniu com os presidentes da Argentina, Javier Milei, em Buenos Aires, e do Uruguai, Luis Lacalle Pou, em Montevidéu.
Após sua visita aos Estados Unidos, ele planeja viajar para o Panamá e a República Dominicana.
Ele não parece se intimidar com a recompensa de 100.000 dólares (615 mil reais) oferecida pelas autoridades venezuelanas por qualquer informação que leve à sua captura.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) proclamou Maduro o vencedor das eleições de 28 de julho, sem ter publicado até o momento os detalhes dos resultados, conforme exigido por lei.
As manifestações de protesto que eclodiram após as eleições resultaram em 28 mortes e mais de 2.400 prisões, das quais cerca de 1.400 foram libertadas em liberdade condicional. Três dos detidos morreram na prisão.
Washington, que acusa Maduro de tráfico de drogas e está oferecendo uma recompensa de 15 milhões de dólares (92 milhões de reais) por sua captura, impôs restrições de visto a 2.000 venezuelanos por seu papel em “minar a democracia”, “corrupção” ou “violações de direitos humanos” na Venezuela.
- Nas ruas -
Autoridades policiais e militares iniciaram uma ampla mobilização antes da posse de Maduro.
“O dia 10 é a coisa certa! Vocês sabem. Vejo vocês nas ruas, nas esquinas, nos bairros (...). No dia 10, faremos um juramento pela Venezuela”, publicou Maduro nas mídias sociais, incentivando seus seguidores a se juntarem a ele.
A oposição conclamou a população a enfrentá-lo.
“Saiam, gritem, lutem, é hora de ficarmos firmes e fazê-los entender que é isso, que isso acabou”, pediu Machado em um vídeo publicado nas mídias sociais no domingo.
O carismático líder, que está escondido, vem pedindo à comunidade internacional há meses para colocar o governo de Maduro nas cordas.
A.Moore--AT