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Ofensiva russa avança na Ucrânia e Putin culpa Kiev
A Ucrânia reconheceu nesta sexta-feira (17) que as forças de Moscou prosseguem com o avanço em seu território, na região de Kharkiv, em uma ofensiva que o presidente Vladimir Putin justificou como uma resposta aos ataques de Kiev contra as zonas de fronteira russas.
As tropas russas estão destruindo a cidade de Vovchansk, segundo Kiev, e continuam avançando na região nordeste de Kharkiv, onde Moscou iniciou a nova ofensiva na semana passada.
O Ministério da Defesa russo afirmou que as tropas do país "libertaram 12 localidades da região de Kharkiv" em uma semana.
O presidente russo justificou a ofensiva como uma resposta aos bombardeios ucranianos dos últimos meses em território russo.
"Quanto ao que está acontecendo na frente de Kharkiv, a culpa é deles (dos ucranianos), porque bombardearam e continuam bombardeando bairros residenciais nas zonas de fronteira (russas), incluindo Belgorod", declarou na China, onde está em visita oficial.
Ele disse ainda que as forças de Moscou avançam todos os dias na região, "como estava previsto".
A Ucrânia voltou a atacar várias regiões russas e a península ucraniana ocupada da Crimeia com centenas de drones, ações que provocaram duas mortes, cortes de energia elétrica e incêndios em instalações do setor energético, afirmaram as autoridades russas.
O governador da região de Kharkiv, Oleg Synegubov, indicou que as forças ucranianas não conseguiram frear o avanço russo até o momento.
"O inimigo começou a destruir Vovchansk, usando tanques e artilharia. Não é apenas perigoso permanecer lá, é praticamente impossível", declarou.
Quase 200 civis ainda estão na cidade, segundo o governador. Vovchansk fica a 50 quilômetros da capital regional, Kharkiv, e tinha 18.000 habitantes antes do início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
O Exército russo já destruiu várias cidades ucranianas com bombardeios em larga escala para conquistá-las, casos de Bakhmut no ano passado ou de Adviivka em fevereiro.
- Avanço do inimigo -
Um pouco mais ao oeste, as forças russas avançaram no segundo eixo de ataque à região. O alvo é a localidade de Lukyantsi, para abrir caminho em direção a Lipsi, outra cidade da região de Kharkiv.
"As hostilidades continuam em Lukyantsi. Sim, há um avanço do inimigo nesta localidade", disse o governador Oleg Synegubov.
O comandante do Exército ucraniano, Oleksander Syrsky, indicou no Telegram que as forças russas "ampliaram a zona ativa de combates para 70 quilômetros".
A Rússia iniciou uma ofensiva surpresa no norte da Ucrânia em 10 de maio, em um momento de dificuldades para as forças ucranianas no leste e no sul.
Quase 9.300 civis deixaram a região. Kiev acusa Moscou de utilizar civis como "escudos humanos" em Vovchansk e de ter cometido ao menos uma execução sumária.
Com esta operação, a Rússia conseguiu as conquistas territoriais mais importantes desde o final de 2022, com a tomada de 257 quilômetros quadrados na região de Kharkiv, segundo uma análise da AFP realizada na quinta-feira com base em números do Instituto para o Estudo da Guerra, que tem sede nos Estados Unidos.
O presidente Putin justificou nesta sexta-feira a ofensiva com a necessidade de criar uma zona de segurança para impedir que as forças de Kiev bombardeiem a região russa de Belgorod, próxima da fronteira e alvo frequente de ataques ucranianos.
Segundo a Ucrânia, os bombardeios são uma resposta aos ataques russos no seu território.
"Eu disse publicamente que se isto continuasse, seríamos obrigados a criar uma zona de segurança (...) É o que estamos fazendo", declarou Putin.
- Bombardeios e incêndios na Rússia -
Ao ser questionado sobre a possibilidade de tomar Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, Putin respondeu que no momento não é o objetivo.
"Quanto a Kharkiv, não temos este projeto neste momento", disse o presidente.
As autoridades russas também anunciaram que interceptaram um ataque de mais de 100 drones ucranianos na noite de quinta-feira.
O governador da região de Belgorod anunciou as mortes de uma mãe e de seu filho de quatro anos durante um ataque na cidade de Oktyabrsky.
Na região de Krasnodar, sudoeste da Rússia, um ataque com drones ucranianos provocou um incêndio em uma refinaria, sem provocar vítimas.
Além disso, várias "infraestruturas civis" em Novorossiysk, às margens do Mar Negro, sofreram danos e incêndios.
Na Crimeia, península ucraniana anexada pela Rússia em 2014, a cidade de Sebastopol ficou sem energia elétrica depois que uma subestação foi danificada, segundo as autoridades locais.
Uma fonte do Ministério da Defesa ucraniano confirmou à AFP que o SBU e o GUR, dois serviços de inteligência, executaram os bombardeios.
B.Torres--AT