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Candidato de esquerda da Colômbia pede "calma" após protestos contra vitória da extrema direita
O candidato de esquerda à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, pediu nesta segunda-feira (22) "calma" a seus apoiadores após os protestos contra a vitória do político de extrema direita Abelardo de la Espriella e exigiu que o presidente eleito deixasse de fazer ameaças contra ele.
No segundo turno mais disputado da história do país, Cepeda foi derrotado no domingo por menos de um ponto percentual na apuração preliminar, diante do advogado milionário conhecido como "El Tigre".
Após a vitória do jurista de 47 anos, apoiado por Donald Trump, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar em Bogotá e Cali, onde queimaram bandeiras dos Estados Unidos e entraram em confronto com a polícia de choque.
"Meu apelo é para que mantenhamos a calma e a tranquilidade, porque essa é a nossa postura", afirmou Cepeda em uma coletiva de imprensa em Bogotá.
"Mantenhamos neste momento um comportamento exemplar nesse sentido", acrescentou o senador e defensor dos direitos humanos de 63 anos.
Cepeda reiterou que reconhecerá os resultados apenas após a apuração oficial definitiva, que pode levar alguns dias para ser concluída.
De la Espriella, que governará de 7 de agosto até 2030, conquistou apoio com um discurso contundente contra a esquerda, que chegou ao poder pela primeira vez na Colômbia em 2022 com o atual presidente, Gustavo Petro.
Falastrão e provocador, chegou a afirmar que iria "estripar" o "câncer" da esquerda, em um país onde a perseguição a essa corrente política levou ao extermínio de milhares de militantes, incluindo o pai de Cepeda.
Manuel Cepeda, pai do senador, foi assassinado em 1994 por agentes do Estado em aliança com paramilitares de extrema direita.
- "Relação poderosa" -
Trump afirmou em sua rede Truth Social, nesta segunda-feira, que espera "com entusiasmo" trabalhar com De la Espriella "para construir uma relação poderosa entre a Colômbia e os Estados Unidos".
O presidente eleito pretende combater as organizações criminosas com apoio de Washington.
Muitas de suas propostas, porém, precisam ser aprovadas pelo Congresso, onde ele conta com apenas cinco dos 284 parlamentares.
O Centro Democrático, principal partido da direita tradicional colombiana, informou nesta segunda-feira, por meio do X, seu apoio ao novo governo: "Prepararemos uma agenda legislativa conciliada com o novo governo".
Caso obtenha apoio de outros partidos tradicionais, o presidente eleito poderá alcançar maioria parlamentar.
O Centro Democrático é a segunda maior bancada do Congresso, atrás do Pacto Histórico, partido de Petro e Cepeda.
- O tigre "morde" -
Cepeda também rejeitou as declarações de De la Espriella, classificando-as como "desrespeitosas" e "inadequadas".
"Doutor Cepeda, o senhor já sabe o quão forte o tigre morde. E vou lhe dizer uma coisa: o tigre ainda pode morder mais forte do que mordeu nas urnas", declarou o novo presidente no domingo, sob aplausos de milhares de apoiadores na cidade caribenha de Barranquilla.
Cepeda respondeu: "Que ele não nos ameace. Digo isso com toda clareza".
"Temos uma longa história de resistência e somos muito experientes. Derrotamos muitos governos autoritários, muitos políticos violentos. Não temos medo nem de seus rugidos nem de seus gritos", acrescentou.
De la Espriella, que geralmente faz seus discursos atrás de um vidro à prova de balas, acusa Petro de ser um "chefe da máfia" devido ao fortalecimento dos grupos armados com os quais o atual governo tentou negociar a paz e afirma estar disposto a extraditá-lo para os Estados Unidos.
- "Fragmentação violenta" -
Petro alertou nesta segunda-feira que a Colômbia está "à beira do abismo da fragmentação violenta" devido à polarização.
Nas ruas, manifestantes, principalmente jovens, defendem os programas sociais promovidos pelo presidente em benefício das comunidades mais pobres e marginalizadas.
Em relação ao conflito armado, especialistas alertam para uma possível espiral de violência diante da resposta que grupos armados poderiam dar à ofensiva militar proposta por De la Espriella.
O presidente eleito pretende combater essas organizações ao lado dos Estados Unidos, cujo governo manifestou apoio à sua vitória no domingo.
A Colômbia conseguiu reduzir a violência do conflito armado interno após o acordo de paz assinado com a guerrilha das Farc em 2016, mas a tranquilidade durou poucos anos.
Diversos grupos guerrilheiros que não aderiram ao acordo, além de paramilitares e organizações do narcotráfico, continuam operando com recursos provenientes da cocaína e da mineração ilegal de ouro.
"Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos esses anos: seu tempo acabou", advertiu De la Espriella.
G.P.Martin--AT