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Milhares de pessoas deixam região ucraniana de Kharkiv, onde Rússia prossegue com ofensiva
Os combates prosseguem, nesta segunda-feira (13), na região de Kharkiv, nordeste da Ucrânia, onde mais de 30 localidades estão sob ataque russo, segundo as autoridades, e quase 6.000 habitantes deixaram a área devido à ofensiva de Moscou.
"Mais de 30 localidades da região de Kharkiv são alvos do fogo de artilharia inimigo", anunciou o governador Oleg Sinegubov nas redes sociais.
A autoridade declarou que 5.762 habitantes foram retirados da região desde o início dos combates.
Estima-se que outras 1.600 pessoas sejam retiradas dos arredores nesta segunda-feira, apesar de "uma situação bastante complicada", acrescentou.
O chefe do Conselho de Segurança ucraniano, Oleksandr Lytvynenko, afirmou, por sua vez, que "mais de 30.000 soldados" russos participam da ofensiva de Moscou na região de Kharkiv, cuja capital de mesmo nome e segunda maior cidade do país, "não está ameaçada" neste momento, assegurou.
As forças russas atravessaram a fronteira na sexta-feira, em uma ofensiva na direção de Lipsi e Vovchansk, duas localidades situadas, respectivamente, a 20 e 50 quilômetros ao nordeste de Kharkiv.
"O inimigo está conseguindo sucessos táticos", admitiu nesta segunda-feira o Estado-Maior ucraniano em um comunicado publicado no Facebook.
- "Horrível" -
Segundo o canal 'DeepState' do Telegram, próximo do Exército ucraniano, os russos conseguiram ocupar cerca de 70 km² em Lipsi, e 34 km² em Vovchansk.
As autoridades regionais relataram um morto e três feridos em um bombardeio em uma localidade no oeste de Kharkiv, a cerca de 30 km da área dos combates.
Na vila de Ruski Tyshky, a sete quilômetros de Lipsi, foi possível ouvir uma sequência de explosões de longe, constatou a AFP.
Katerina Stepanova, de 74 anos, foi retirada desta vila com o filho. Diversas bombas explodiram em sua rua.
"Fugi com o que estava vestindo, roupa suja [...] Felizmente, pelo menos estamos vivos. É tão horrível o que está acontecendo ali. O que estes idiotas estão fazendo? As casas estão em chamas", declarou ela à AFP em um primeiro ponto de encontro para pessoas que deixaram suas residências.
Após quatro dias de ofensiva, "não foram registrados avanços de grande escala das defesas inimigas", segundo o canal no Telegram Rybar, próximo ao Exército russo.
"Depois de limpar a zona fronteiriça 'cinzenta', as unidades de assalto russas se concentraram em penetrar os redutos e as linhas defensivas das forças armadas ucranianas", informou o canal na segunda-feira.
- Intensificação dos bombardeios -
Este avanço russo ocorre em um momento no qual o presidente Vladimir Putin destituiu seu ministro da Defesa, Sergei Shoigu, no domingo (12), após dois anos de conflito na Ucrânia.
O novo titular, o economista Andrei Belousov, não possui experiência militar, assim como Shoigu quando foi nomeado em 2012.
Com esta decisão, o presidente da Rússia se prepara para uma "guerra de longa duração [...] também contra todo o Ocidente, uma guerra contra a Otan", disse Lytvynenko nesta segunda-feira.
Já as forças ucranianas estão intensificando seus ataques na Rússia e nas áreas da Ucrânia ocupadas por Moscou, sobretudo contra infraestruturas energéticas.
Os ataques atribuídos a Kiev na zona ocupada de Luhansk (leste) e na região russa de Kursk deixaram pelo menos quatro mortos e sete feridos, segundo as autoridades russas.
A defesa ucraniana reivindicou um bombardeio contra um terminal de petróleo na região russa de Belgorod e uma subestação de energia elétrica em Lipetsk.
As autoridades russas não confirmaram o ataque a Belgorod, mas o governador de Lipetsk afirmou que uma subestação sofreu um incêndio, sem revelar detalhes ou culpar diretamente a Ucrânia.
A cidade de Krasnodon, que fica perto da fronteira com a Rússia, 45 quilômetros ao sudeste de Luhansk, a capital regional, está sob controle russo desde 2014.
B.Torres--AT