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Ucrânia critica Rússia na ONU por 'ignorar voz' do mundo
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia acusou nesta sexta-feira (23) a Rússia de "ignorar a voz" da maioria, durante reunião da Assembleia Geral da ONU, dois anos após o começo da invasão russa à Ucrânia.
"Infelizmente, a Rússia ignora a vontade da maioria mundial, continua sua agressão e lança cada vez mais pessoas nas chamas da guerra", declarou Dmitro Kuleba.
"A Rússia não pode ignorar a voz da maioria do mundo se adotarmos uma posição de princípios e agirmos juntos", acrescentou, enquanto apelava a todos os Estados-membros para participarem de uma conferência pela paz que será organizada na Suíça em torno da fórmula da paz de dez pontos do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O ministro suíço das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, também convidou todos os Estados-membros a participarem desta conferência, cuja realização está prevista "para este verão".
Esta é uma ideia rejeitada pela Rússia. "Não devemos perder tempo com os planos inúteis de Kiev de negociar com base na chamada fórmula da paz de Zelensky. Não passa de um ultimato e uma tentativa de atrair o maior número possível de países para reuniões intermináveis sobre um projeto utópico", declarou o embaixador russo na ONU, Vassili Nebenzia.
“Há dois anos, a guerra na Ucrânia tem sido uma ferida aberta no coração da Europa”, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante uma reunião do Conselho de Segurança. “Basta."
Chanceleres europeus viajaram à sede da ONU para participar dessas reuniões, como o britânico David Cameron e o francês Stéphane Séjourné. “Estamos reunidos hoje para reafirmar nossa solidariedade ao povo ucraniano, para prestar uma homenagem àqueles que sacrificaram suas vidas em defesa da liberdade e da independência da Ucrânia”, ressaltaram em declaração conjunta cerca de 50 países aliados de Kiev.
“Reafirmamos nosso apoio sólido à independência, soberania e integridade territorial” da Ucrânia, ressaltaram os países na declaração, lida por Dmitro Kuleba, rodeado de dezenas de ministros e diplomatas.
O Ocidente quis mostrar seu apoio político à Ucrânia em um momento em que o Exército ucraniano tem sido enfraquecido pelo bloqueio da ajuda dos Estados Unidos, o fracasso de sua contraofensiva de verão (norte) e uma crescente escassez de homens e munições.
Mas, ao contrário do ano passado, o dia não será marcado por uma votação, num contexto em que a guerra entre Israel e o Hamas está agora no centro das batalhas diplomáticas da ONU.
L.Adams--AT