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Alemanha anuncia nova ajuda militar de 1,3 bilhão de euros à Ucrânia
A Alemanha anunciou nova ajuda militar à Ucrânia nesta terça-feira (21), enquanto o Ocidente procura dar garantias de que continuará apoiando o país na sua luta contra a invasão russa.
Além do ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, estiveram também em Kiev o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Moldávia, Maia Sandu, coincidindo com o décimo aniversário da revolução pró-europeia de Maidan, que derrubou um governo pró-Rússia.
Pistorius anunciou uma nova ajuda militar de 1,3 bilhão de euros (cerca de 1,4 bilhão de dólares ou 6,8 bilhões de reais na cotação atual), que inclui quatro novos sistemas de defesa antiaérea Iris-T SLM e munições de artilharia, dos quais a Ucrânia necessita com urgência.
O ministro, que fez o anúncio após um encontro com seu homólogo ucraniano, Rustem Umerov, garantiu à Ucrânia a "solidariedade" de Berlim.
Michel viajou para Kiev para "expressar o firme apoio da União Europeia (UE)" e preparar com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, a cúpula europeia marcada para 14 e 15 de dezembro, em Bruxelas.
O presidente ucraniano reuniu-se na véspera com o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, que reafirmou o apoio do seu país e anunciou uma nova ajuda militar de 100 milhões de dólares (488 milhões de reais na cotação atual).
O objetivo deste apoio é tranquilizar Kiev, que teme que os seus aliados reduzam a sua ajuda, especialmente quando o conflito entre Israel e o Hamas em Gaza concentra todas as atenções internacionais.
- Sem concessões -
Esses temores, quase dois anos após o início da invasão russa, ocorrem quando a grande contraofensiva ucraniana lançada em junho não conseguiu libertar os territórios ocupados no leste e no sul do país.
Kiev afirma que pode vencer se a ajuda militar ocidental continuar.
De acordo com o Estado-Maior ucraniano, cerca de 100.000 soldados de Kiev foram treinados pelos seus aliados ocidentais e os seus pilotos começaram a treinar para operar aeronaves F-16, cujo fornecimento é crucial para combater o poder aéreo das forças russas.
O presidente Zelensky marcou o 10º aniversário da revolução Maidan ao destacar que a revolta popular foi a "primeira vitória" contra a Rússia.
Este movimento, que denunciou as práticas corruptas do governo pró-Rússia, destituiu o então presidente Viktor Yanukovych do poder depois de este ter tentado reprimir os protestos pela força.
O presidente russo, Vladimir Putin, que considera a revolução um golpe de Estado organizado pelo Ocidente para enfraquecer a Rússia, ordenou então a anexação da península da Crimeia e orquestrou uma guerra separatista no leste da Ucrânia. Oito anos depois, em fevereiro de 2022, teve início uma invasão em grande escala do país.
Zelensky apelou nesta terça-feira aos seus aliados para não cederem à Rússia: se "o mundo civilizado começar (…) a fazer concessões aos tiranos, perderemos".
- Batalha no Dnieper -
No terreno, o Exército russo continua com seus bombardeios.
Dois civis morreram em um ataque noturno de drones e mísseis russos contra um hospital e um edifício da indústria de mineração no leste do país, anunciaram as autoridades ucranianas.
As forças ucranianas tentam ganhar terreno na margem oriental do rio Dnieper, no sul do país, área ocupada pelos russos.
Na semana passada, Kiev anunciou que havia assumido posições na margem esquerda do rio, ao mesmo tempo que relatava "combates intensos" e "forte resistência russa".
Mas o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, garantiu nesta terça-feira que o seu Exército está repelindo "todas as operações de desembarque ucranianas" naquela margem do rio.
H.Romero--AT