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Delegação da África Ocidental chega ao Níger para buscar solução 'amigável'
Uma delegação da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Cedeao) chegou a Niamei na noite desta quinta-feira (3) para buscar uma saída para a crise no Níger, oito dias depois do golpe de Estado que derrubou o presidente eleito democraticamente Mohamed Bazoum.
A delegação, liderada pelo ex-chefe de Estado nigeriano Abdulsalami Abubakar, deve "se reunir com os golpistas no Níger para apresentar os pedidos dos dirigentes da Cedeao", de acordo com um comunicado da Presidência da Nigéria.
O presidente nigeriano, Bola Tinubu, líder em exercício da Cedeao, pediu que se faça "tudo" o que for possível para conseguir uma "resolução amigável" da crise no Níger, depois das sanções adotadas contra o país e do ultimato aos golpistas para restabelecer a ordem constitucional.
A Cedeao impôs fortes sanções a Niamei e deu o domingo como prazo para os golpistas restabelecerem o presidente Bazoum em suas funções, sob ameaça de uso da "força".
A organização da África Ocidental, que suspendeu as transações financeiras com o Níger, disse que uma operação militar está em preparação, mas enfatizou que se trata da "última opção sobre a mesa".
Os chefes de Estado-Maior dos países da Cedeao estão reunidos em Abuja até sexta-feira, quando vários exércitos da África Ocidental, entre eles o do Senegal, se mostram dispostos a intervir se o ultimato não for respeitado no domingo.
- Manifestações pró-golpe -
Milhares de pessoas expressaram apoio nesta quinta em Niamei aos autores do golpe de Estado de 26 de julho que derrubou Bazoum. Desde então, o mandatário permanece sob custódia dos golpistas.
Os manifestantes foram convocados pelo movimento M62, uma coalizão de organizações da sociedade civil, no dia do 63º aniversário da independência do Níger da França, a ex-potência colonial que mantém 1.500 soldados no território do país para ajudar no combate aos grupos armados extremistas.
"Abaixo a França!", "Viva a Rússia, viva [Vladimir] Putin!", gritaram alguns manifestantes na capital do Níger, país produtor de petróleo e urânio.
Desde o golpe liderado pelo ex-comandante da guarda presidencial, o general Abdourahaman Tiani, as relações com a França e outros países ocidentais passam por um momento de grande tensão.
"Estamos interessados apenas na segurança, venha da Rússia, China ou Turquia", declarou um dos manifestantes, o empresário Issiaka Hamadou. "Simplesmente não queremos os franceses, que nos roubam desde 1960", acrescentou.
- Retirada de estrangeiros -
Nos Estados Unidos, um dos principais aliados do Níger, ao lado da França, e que também mantêm mil militares no país, o presidente Biden pediu a "libertação imediata" do presidente Bazoum e de sua família.
Nesta quinta-feira, a energia elétrica do edifício onde Bazoum está detido foi cortada voluntariamente, de acordo com seu partido.
Desde terça-feira, a França fretou cinco aviões para uma operação de retirada de que foi concluída nesta quinta.
O ministro das Forças Armadas do país europeu, Sébastien Lecornu, anunciou que 1.079 cidadãos franceses e estrangeiros "estão a salvo".
O governo dos Estados Unidos ordenou na quarta-feira a saída dos funcionários não essenciais da embaixada em Niamei, a mesma medida anunciada hoje pelo Reino Unido.
- Sanções -
A Nigéria decidiu cortar o fornecimento de energia ao Níger, que depende em 70% da eletricidade gerada no país vizinho.
O Banco Mundial, que liberou 1,5 bilhão de dólares em ajuda ao Níger em 2022 (R$ 7,3 bilhões na cotação atual), anunciou a suspensão de pagamentos "para todas as operações e até novo aviso".
Os golpistas enviaram um representante ao Mali e a Burkina Faso, dois países também liderados por militares golpistas e que enfrentam a violência jihadista.
Em um comunicado conjunto, os governos de Burkina Faso e Mali afirmaram que qualquer intervenção armada seria considerada "uma declaração de guerra" e provocaria a saída dos países da Cedeao.
Em Niamei, o general Tiani declarou, em discurso exibido na televisão na quarta-feira, que rejeita as sanções e se nega "a ceder a qualquer ameaça".
"Rejeitamos qualquer interferência nos assuntos internos do Níger", afirmou.
Por sua vez, a Rússia, que havia pedido na segunda o "retorno à legalidade", defende o diálogo "para evitar o agravamento da situação".
str-bh-Dt-stb/pc/es/eg/db/fp/yr/rpr/am
N.Walker--AT