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Governo Trump acusa Harvard de antissemitismo e ameaça congelar subsídios
O governo do presidente americano Donald Trump acusou, nesta segunda-feira (30), a Universidade de Harvard de permitir o antissemitismo em seu campus e ameaçou retirar “uma ampla gama de privilégios federais” caso não cumpra a lei para combatê-lo.
“Harvard ostenta a lamentável distinção de ser um dos caldos de cultivo mais proeminentes e visíveis da discriminação racial”, aponta uma carta dirigida a Alan Garber, o presidente da prestigiosa instituição, enviada pelo grupo de trabalho governamental criado para combater o antissemitismo.
Após uma investigação “minuciosa”, o grupo do Escritório de Direitos Civis do Departamento de Saúde e Serviços Humanos conclui que a universidade, localizada perto de Boston, “violou gravemente” a lei que “proíbe a discriminação por motivos de raça, cor e origem nacional”.
Acusa Harvard de ter sido em alguns casos “deliberadamente indiferente” e em outros “um participante deliberado no assédio antissemitista de alunos, professores e funcionários judeus”.
Segundo a carta, a maioria dos estudantes judeus declarou ter sofrido preconceitos negativos ou discriminação no campus, enquanto um quarto deles sentiu-se fisicamente inseguro.
Também afirma que as manifestações e acampamentos “instigaram medo e interromperam os estudos dos alunos judeus”. O texto não menciona que os atos eram destinados a pedir o cessar-fogo da guerra de Israel em Gaza e que abalaram muitas universidades do país.
“Caso mudanças adequadas não sejam introduzidas imediatamente, todos os recursos financeiros federais serão perdidos e a relação de Harvard com o governo federal continuará sendo impactada”, ameaçou a carta.
Em uma mensagem à AFP, a universidade afirmou que Harvard “está longe de ser indiferente” ao antissemitismo e assegura ter tomado “medidas substanciais e proativas” para “combater a intolerância, o ódio e os preconceitos”.
“Não somos os únicos a enfrentar esse desafio e reconhecemos que este trabalho continua”, diz.
Segundo relatórios encomendados por Harvard sobre antissemitismo, arabofobia e islamofobia, publicados no final de abril, 56% dos estudantes muçulmanos e 26% dos judeus disseram sentir-se inseguros na universidade.
Harvard tornou-se o centro da campanha de Trump contra as principais universidades do país, que ele acusa de fomentar o antissemitismo ao permitirem manifestações pró-palestinas em seus campi, e de imporem políticas de diversidade, inclusão e igualdade (DEI, na sigla em inglês).
Seu governo já congelou cerca de 3,2 bilhões de dólares (17,5 bilhões de reais) em subsídios federais e contratos com Harvard, excluiu a universidade de futuras ajudas e ameaçou anular suas isenções fiscais.
Além disso, luta na justiça para proibir a matrícula de estudantes internacionais - mais de um quarto de seu corpo estudantil -, que são uma importante fonte de renda.
W.Nelson--AT