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Rei da Espanha admite que houve 'muito abuso' na conquista da América
O rei da Espanha, Felipe VI, admitiu, nesta segunda-feira (16), que houve "muito abuso" durante a conquista espanhola da América, apesar do "desejo de proteção" dos indígenas por parte dos reis católicos.
"Os reis católicos, a rainha Isabel com suas diretrizes, as leis das Índias", tiveram "um desejo de proteção, que depois a realidade faz com que não se cumpra como se pretende e há muito abuso", afirmou o chefe de Estado espanhol.
Felipe VI disse estas palavras durante uma visita a uma exposição intitulada "A mulher no México indígena", no Museu Arqueológico Nacional, em Madri, segundo um vídeo publicado pela Casa Real no X.
As relações entre México e Espanha sofreram tensões desde que o então presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, enviou uma carta a Madri em 2019, exigindo da Coroa um pedido de desculpas pelos abusos durante a conquista.
O pedido de López Obrador (2018-2024), correligionário da atual presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que renovou os apelos por um pedido oficial de desculpas, esfriou as relações bilaterais.
Em conversa com outras autoridades, entre elas o embaixador do México na Espanha, o rei Felipe VI falou da necessidade de conhecer a história, apesar de haver situações que "não podem nos fazer sentir orgulhosos".
"Há coisas que depois que as estudamos, as conhecemos, você se diz: 'Bom, no nosso critério de hoje em dia, com nossos valores, obviamente não podem nos fazer sentir orgulhosos'", declarou o monarca.
"Mas é preciso conhecê-las e, em seu contexto justo, não com excessivo presentismo moral, mas com uma análise objetiva e rigorosa" para "tirar lições", acrescentou.
Esta é a primeira vez que Felipe VI aborda este tema desde que teve início da polêmica com o México.
Em outubro passado, ao inaugurar a exposição que Felipe VI visitou nesta segunda-feira, o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, José Manuel Albares, reconheceu a "dor e injustiça", causado a "os povos originários" na América.
A presidente mexicana saudou estas palavras e disse que eram o "primeiro passo" do governo espanhol para reconhecer os abusos cometidos.
Dias depois, o chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, assegurou que normalizar as relações com o México era uma "prioridade" após anos de tensões pelo passado colonial da Espanha.
W.Moreno--AT