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Suspeito de ataque em Belfast comparece a tribunal após noite de violência
O refugiado sudanês acusado de um ataque a faca em Belfast que chocou o Reino Unido deve comparecer nesta quarta-feira (10) a uma audiência com um juiz, após uma noite de violentas manifestações anti-imigração na capital da Irlanda do Norte.
Centenas de pessoas, algumas com os rostos cobertos, se reuniram na noite de terça-feira em diferentes pontos de Belfast em protestos que terminaram com ônibus, veículos e imóveis incendiados.
"Lançaram coquetéis molotov e, de repente, o fogo se propagou", afirmou Eemran, um engenheiro de origem indiana de 41 anos que mora em um dos bairros afetados.
"Começou a sair fumaça do prédio e os bombeiros nos disseram para sair", declarou à AFP.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou nesta quarta-feira os distúrbios como "chocantes e completamente inaceitáveis".
"Nada pode justificar a violência e a desordem que vimos, que ameaçam nossas comunidades, nem as ações daqueles que as incentivaram, na internet ou em outros lugares. Está claro que pessoas foram atacadas ontem à noite por causa de sua origem, e eu não vou tolerar isso", afirmou Starmer.
"O fato de grupos de encapuzados terem incendiado casas onde vivem famílias representa um ato de covardia repugnante", condenou no X a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O'Neill.
O ataque de segunda-feira chocou o Reino Unido, onde os partidos contrários à imigração avançam nas pesquisas.
Um vídeo muito compartilhado nas redes sociais mostra o agressor sentado sobre um homem que está no chão, ensanguentado, enquanto o esfaqueia. A agressão, condenada unanimemente pela classe política britânica, provocou pedidos de manifestações de figuras da extrema direita, como o ativista Tommy Robinson, apoiados pelo bilionário americano Elon Musk.
O suspeito do ataque, que não teve a identidade revelada, foi formalmente acusado de tentativa de homicídio, posse de objeto cortante ou perfurante em local público e ameaças de morte.
As autoridades informaram que o agressor é um cidadão sudanês que entrou na Irlanda do Norte em 2023, em um ônibus procedente da República da Irlanda, após chegar ao país procedente da França.
O cidadão sudanês obteve o status de refugiado, com autorização de residência até 2028.
A motivação do ataque continua incerta.
A vítima, um homem na faixa de 40 anos, foi hospitalizada em estado grave, com "lesões importantes nos olhos e ferimentos nas costas e no rosto", segundo a polícia.
A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, denunciou nesta quarta-feira, na BBC, a ação de pessoas nas redes sociais que "até ontem teriam tido muita dificuldade para localizar Belfast em um mapa" e que "instrumentalizaram o medo legítimo que as pessoas sentem diante dos acontecimentos".
- "Cenas horríveis" -
Jon Burrows, líder do partido unionista norte-irlandês Ulster Unionist Party (UUP), que defende a permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido, também condenou os distúrbios.
"Era em sua maioria de menores de 16 anos, com o rosto coberto, convencidos de que seu dever patriótico era incendiar um ônibus, tentar encontrar casas ligadas a imigrantes", disse Burrows à BBC Ulster.
"As cenas foram absolutamente horríveis", acrescentou.
Líderes de partidos de extrema direita, como o Reform UK, de Nigel Farage, ou o Restore Britain, de Rupert Lowe, atribuíram os fatos às políticas migratórias do governo trabalhista e de seus antecessores conservadores.
Manifestações violentas contra os imigrantes aconteceram na Irlanda do Norte nos últimos dois anos, assim como em outras regiões do Reino Unido.
O ataque em Belfast aconteceu uma semana após um protesto violento em Southampton para denunciar a forma como a polícia local enfrentou, em dezembro, o assassinato de um estudante branco, Henry Nowak, por um jovem asiático.
T.Sanchez--AT