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Parentes denunciam julgamento de veteranos de guerra acusados de conspirar contra Bukele
O processo judicial contra uma dezena de pessoas, inclusive sete veteranos de guerra acusados de planejar atentados contra o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, é uma "barbárie jurídica" por suas múltiplas irregularidades, denunciaram familiares dos acusados nesta terça-feira (11).
Sete ex-guerrilheiros da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) foram detidos em 30 de maio de 2024 acusados de planejar ataques por ocasião da posse de Bukele para um segundo mandato.
O julgamento devia começar nesta terça-feira, mas foi adiado para 7 de setembro. Outras três pessoas foram vinculadas ao processo.
O Ministério Público as acusa de planejar explosões em postos de gasolina, supermercados e instituições públicas.
O processo é uma "barbárie jurídica (...) sem garantias, irregular, anômalo", asseguraram os familiares em um comunicado lido durante um protesto por ocasião da audiência.
Eles acrescentaram que "não há uma única prova real que incrimine os detidos" e que a acusação é "falsa".
Também denunciaram que serão julgados sob o regime de exceção que ampara a guerra de Bukele contra as gangues, apesar de não serem acusados de pertencer a estes grupos.
Além disso, repudiam que seu caso esteja nas mãos de uma "juíza sem rosto", como são denominados os magistrados cuja identidade é mantida sob sigilo como parte da restrição de direitos.
Cerca de 92 mil pessoas foram presas sem ordem judicial sob o regime de exceção que, segundo organizações internacionais, resultou em abusos que poderiam constituir crimes contra a humanidade.
"Desde o minuto zero, ficou demonstrado que meu pai é inocente e os colegas também", disse a jornalistas Mextli Montalvo, filha do septuagenário Atilio Montalvo, signatário em 1992 dos acordos de paz que acabaram com a guerra civil salvadorenha, que deixou cerca de 75 mil mortos.
Montalvo é o único que responde ao processo em liberdade devido a seu frágil estado de saúde. Nesta terça-feira, ele foi ao tribunal em cadeira de rodas.
"Desde que foram capturados, não sabemos nada deles (...), o que pedimos e exigimos é sua pronta liberdade e que sejam absolvidos totalmente", afirmou Rosa Flores, outra familiar.
Bukele, que governa com poder absoluto, tentará um terceiro mandato em fevereiro próximo, após reformas legais que consagraram a reeleição indefinida.
H.Gonzales--AT