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Guerra comercial entre Equador e Colômbia escala com tarifas recíprocas e novas medidas
O governo da Colômbia respondeu, nesta quinta-feira (22), às medidas tarifárias do Equador com sobretaxas semelhantes e ampliou uma crise comercial com ações que também afetam a cooperação energética e o transporte de petróleo.
A guerra tarifária começou na quarta-feira, por decisão do presidente equatoriano, Daniel Noboa, que anunciou de Davos a imposição de uma tarifa de 30% sobre as importações da Colômbia, por considerar que o país não faz o suficiente no combate às drogas na fronteira comum.
O Ministério do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia informou nesta quinta-feira que aplicará a mesma tarifa a 20 produtos ainda não definidos, com a possibilidade de estender a medida "a um grupo mais amplo, como resposta à alteração das condições do comércio bilateral gerada pela decisão unilateral" de Noboa.
A tarifa equatoriana entrará em vigor em fevereiro, e a resposta colombiana será "proporcional, transitória e revisável", indicou a pasta.
"Essa sobretaxa não constitui uma sanção nem uma medida de confronto, mas uma ação corretiva orientada a restabelecer o equilíbrio do intercâmbio e a proteger o parque produtivo nacional", acrescentou.
Por sua vez, o Ministério de Minas e Energia expediu uma resolução para suspender as Transações Internacionais de Eletricidade (TIE) entre os dois países "como medida preventiva orientada a proteger a soberania e a segurança energética" da Colômbia, informou, sem mencionar diretamente as tarifas.
Segundo a pasta, a decisão se baseia em análises técnicas que "evidenciam maior pressão sobre o sistema elétrico" colombiano em momentos de "variabilidade climática".
O Equador enfrentou secas intensas que levaram, em 2024 e 2025, a longos cortes de energia, em um país onde 70% da eletricidade depende da geração hídrica.
A Colômbia abasteceu o Equador em diversas ocasiões. O país vizinho tem 17 milhões de habitantes e registra atualmente um déficit de 1.000 MW.
"Espero que o Equador tenha agradecido, porque quando fomos necessários, acudimos solidariamente com energia", disse o presidente Gustavo Petro na quarta-feira, em referência à pior seca enfrentada pelo vizinho em 60 anos.
"As condições atuais, tanto energéticas quanto comerciais, não permitem manter as transações internacionais de eletricidade sem colocar em risco o abastecimento nacional", indicou o ministério.
- Tarifas sobre o petróleo -
Colômbia e Equador compartilham uma fronteira de 600 quilômetros que vai do Pacífico à selva amazônica, onde atuam guerrilhas colombianas e organizações dedicadas ao tráfico de drogas e armas e à mineração ilegal.
Em campos políticos opostos, mas parceiros comerciais relevantes na região, Noboa e Petro se enfrentam com frequência.
Após a decisão da Colômbia de suspender o fornecimento de energia, o Equador anunciou novas tarifas para o transporte de petróleo colombiano por um de seus oleodutos.
"A tarifa de transporte do petróleo colombiano pelo OCP (Oleoduto de Petróleo Pesado) terá a reciprocidade recebida no caso da eletricidade", informou a ministra do Meio Ambiente e Energia, Inés Manzano, em breve mensagem na rede social X.
O Equador prioriza "sua segurança nas fronteiras, sua balança comercial e sua segurança energética", acrescentou.
O país exporta petróleo e importa combustíveis. O OCP, do qual o Estado equatoriano é acionista majoritário, tem capacidade para 450.000 barris por dia.
Para transportar o petróleo extraído na Amazônia até o Pacífico, o Equador também dispõe de outro oleoduto, com capacidade para 360.000 barris por dia.
A produção de petróleo do Equador ficou em 469.000 barris por dia em novembro passado, dos quais 39% foram transportados pelo OCP, segundo os dados mais recentes do Banco Central.
A Colômbia exporta para o Equador principalmente energia elétrica, medicamentos, veículos, produtos cosméticos e plásticos, segundo a Associação Nacional de Comércio Exterior (Analdex) da Colômbia.
L.Adams--AT