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Corina Machado entrega medalha do Nobel da Paz a Trump, que exalta seu 'gesto maravilhoso'
A líder opositora venezuelana María Corina Machado entregou, nesta quinta-feira (15), sua medalha do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ambicionava ganhar a distinção no ano passado e considerou o gesto "maravilhoso".
A entrega ocorreu durante um almoço privado na Casa Branca, aonde Corina Machado compareceu para manter vivas as suas chances diante do mandatário republicano, que decidiu apostar no governo atual em Caracas.
Trump mudou os rumos da Venezuela no dia 3 de janeiro, com a captura e a deposição forçada do presidente Nicolás Maduro, mas rapidamente frustrou qualquer expectativa para de um fim do regime chavista.
A prioridade de Trump é o petróleo e as riquezas naturais venezuelanas, bem como a luta contra o narcotráfico, temas sobre os quais Corina Machado não pode exercer influência, especialmente de fora do país.
O mandatário republicano costuma se vangloriar de seus sucessos, mas, nesta ocasião, não publicou nenhuma foto dessa entrega simbólica de um prêmio que, segundo os estatutos do Instituto Nobel, é pessoal e intransferível.
- 'Gesto maravilhoso' -
"Apresentei ao presidente dos Estados Unidos a medalha do Prêmio Nobel da Paz", declarou Corina Machado em frente ao Capitólio em Washington, após sua reunião com Trump.
"Contamos com o presidente Trump para a liberdade da Venezuela", acrescentou.
Corina Machado é "uma mulher extraordinária que passou por muitas coisas", reagiu Trump em sua plataforma Truth Social, horas depois.
A entrega da medalha é "um gesto maravilhoso de respeito mútuo" acrescentou.
O republicano não escondeu sua decepção, em diversas ocasiões, desde que o Instituto Nobel anunciou sua escolha no ano passado.
Trump diz ter solucionado oito conflitos em todo o mundo desde que tomou posse para o segundo mandato.
Corina Machado, por sua vez, considera o presidente americano a melhor aposta para uma mudança radical em seu país.
"Fiquei muito impressionada com sua clareza e como ele conhece a situação na Venezuela, como se importa com o que o povo venezuelano está sofrendo, e eu lhe assegurei que a sociedade venezuelana está unida", afirmou em declarações marcadas pela desorganização, diante do Capitólio, onde havia se reunido com senadores, constatou a AFP.
O que deveria ser uma entrevista coletiva às portas do Congresso transformou-se em um comício descontrolado, com dezenas de venezuelanos apoiadores gritando e aplaudindo a opositora.
A polícia e os seguranças a retiraram do local e a colocaram em um carro, sem que a coletiva anunciada fosse realizada.
- Primeira venda de petróleo venezuelano -
Trump provocou um terremoto dentro e fora da Venezuela ao lançar uma ofensiva para deter e transferir para os Estados Unidos o agora deposto presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, acusados de narcotráfico.
A operação foi recebida inicialmente com euforia pela oposição. Mas Trump logo jogou um balde de água fria ao declarar que Corina Machado era uma "pessoa muito simpática", mas que não a via como líder do país.
Em contrapartida, manteve com a substituta de Maduro, Delcy Rodríguez, uma "longa" conversa telefônica na quarta-feira, sobre petróleo, minerais, comércio e segurança, conforme ele mesmo revelou.
Delcy é uma pessoa "formidável", assegurou Trump.
A presidente interina da Venezuela apresentou nesta quinta-feira um projeto de reforma petrolífera para incentivar o investimento neste setor vital para o país, que está gravemente deteriorado.
Corina Machado saiu da Venezuela em dezembro, depois de passar quase um ano na clandestinidade, graças ao apoio logístico americano.
Após receber o Nobel em Oslo, manteve uma agenda discreta, de contatos pontuais, como um encontro com o papa Leão XIV em Roma.
- Os negócios continuam -
Os Estados Unidos consideram oficialmente a Venezuela como um governo "narcoterrorista", mas isso não impede os negócios.
Esse dinheiro passará para contas controladas diretamente pelo Departamento do Tesouro.
Trump "protege" o continente americano "contra os narcoterroristas, os traficantes de drogas e os adversários estrangeiros que buscam tirar proveito", declarou uma porta-voz da Casa Branca.
Fiel à sua política de morde e assopra, o governo Trump anunciou também a apreensão, no Caribe, de um sexto petroleiro alvo de sanções.
Para seus planos petrolíferos, Trump e seu secretário de Estado Marco Rubio esperam contar com a colaboração das multinacionais, que, no entanto, pedem que se esclareça o marco legal e político.
T.Perez--AT