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Venezuelanos aguardam com esperança libertação de mais presos políticos
Os venezuelanos aguardam a libertação de mais presos políticos neste domingo (11), enquanto o presidente deposto, Nicolás Maduro, declarou de sua cela nos Estados Unidos que está "bem" e "forte" após ter sido capturado pelas forças americanas há uma semana na Venezuela.
O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, começou a libertar os presos a conta-gotas na quinta-feira, em um gesto de abertura após prometer cooperar com Washington.
"A Venezuela iniciou o processo, em GRANDE ESTILO, de libertação de seus presos políticos. Obrigado!", disse o presidente americano Donald Trump em uma publicação em sua plataforma Truth Social na noite de sábado.
"Espero que esses presos se lembrem da sorte que tiveram de os Estados Unidos terem aparecido e feito o que precisava ser feito", acrescentou.
Embora o governo interino tenha prometido um "número significativo" de libertações, apenas soltou cerca de 20 até agora, entre os quais há vários nomes importantes da oposição.
Organizações de direitos humanos estimam que haja entre 800 e 1.200 presos políticos na Venezuela.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em uma operação militar noturna em 3 de janeiro, que começou com ataques aéreos em Caracas. Eles foram levados para a cidade de Nova York por forças americanas para serem julgados por acusações de tráfico de drogas.
Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, assegurou que a Venezuela tomará a "via diplomática" com Washington. Trump garante que os Estados Unidos estão "no comando" do país sul-americano.
- Ansiedade pelos prisioneiros -
A ONG Foro Penal, defensora de presos por motivos políticos, contabilizou neste domingo, ao meio-dia local (13h em Brasília) 17 libertações. Balanços de outras organizações de direitos humanos elevam esse número para 21.
Um policial preso em dezembro sob a acusação de traição morreu no sábado sob custódia do Estado na Venezuela, informaram a oposição e ONGs de direitos humanos.
"O Comitê de Familiares pela Liberdade de Presos Políticos denuncia a morte sob custódia do Estado de Edison José Torres Fernández, de 52 anos, ocorrida em 10 de janeiro de 2026 [...] 62 horas após o anúncio oficial das libertações", afirmou a organização no X na madrugada deste domingo.
O Ministério Público informou na tarde deste domingo que Torres Fernández foi transferido para um hospital de Caracas após "um mal súbito de saúde".
"Sofreu um evento cerebrovascular seguido de uma parada cardíaca, que ocasionou o seu falecimento", acrescentou o MP na nota.
Familiares desesperados aguardam diante dos presídios pela prometida libertação de presos políticos.
Fizeram vigílias à luz de velas em frente à prisão El Rodeo I, a leste de Caracas, e no Helicoide, um presídio administrado pelo serviço de inteligência na capital venezuelana que ONGs denunciam que funciona como centro de tortura.
Portavam cartazes com os nomes de seus parentes presos, aos gritos de "Justiça, justiça e liberdade!" e "São todos inocentes, nenhum deles é criminoso!".
Do lado de fora da prisão Rodeo I, cerca de 40 familiares mantinham a esperança de boas notícias neste domingo, após três dias de angústia.
"Não viemos para visitar, viemos para buscá-los", disse à AFP Ángeles Tirado, de 33 anos, que tem cinco parentes detidos no local.
As visitas familiares continuaram seguindo o mesmo protocolo de sempre: levar produtos de higiene, entrar na prisão encapuzado e, então, ver o ente querido preso através de uma divisória de vidro.
- Rubio, presidente de Cuba? -
Washington busca "promover os objetivos da política externa americana", afirmou a Casa Branca em um comunicado que acompanha a ordem executiva.
Embora tenha descartado uma "segunda onda de ataques" à Venezuela por ora, ele mantém a pressão com uma frota naval no Caribe.
Neste domingo, Trump mencionou Cuba, aliada da Venezuela, instando suas autoridades a "chegar a um acordo" ou enfrentar consequências não especificadas, e advertiu que o fluxo de petróleo e dinheiro venezuelanos para Havana cessaria.
"NADA DE PETRÓLEO OU DINHEIRO PARA CUBA: ZERO!", disse Trump em sua rede Truth Social. "Sugiro fortemente que cheguem a um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS", acrescentou.
Também repostou uma mensagem de um usuário no X que sugere que o seu secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, seja presidente de Cuba. "Parece bom para mim!", escreveu.
"Ninguém nos diz o que fazer", respondeu o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel.
A Venezuela, por sua vez, defendeu o "diálogo político e diplomático", e lembrou em comunicado que sua relação com a ilha se baseia "na cooperação e na complementariedade".
Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente venezuelano deposto, assegurou que seu pai está "bem" nos Estados Unidos, segundo um vídeo divulgado no sábado por um líder de seu partido.
"Os advogados nos disseram que ele está forte. Ele disse para não ficarmos tristes, que 'estamos bem, somos lutadores'", disse Maduro Guerra, conhecido como "Nicolasito", citando seu pai.
Cerca de mil manifestantes, agitando bandeiras e faixas com os rostos do presidente deposto e de sua esposa, se reuniram na zona oeste de Caracas, e algumas centenas no distrito leste de Petare.
O governo tem convocado marchas e concentrações em defesa de Maduro todos os dias desde o ataque americano que deixou pelo menos 100 mortos na Venezuela, segundo números oficiais.
K.Hill--AT