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Trump mira na evasão de tarifas, de olho principalmente na China
O presidente americano, Donald Trump, não só aplica tarifas alfandegárias a seus parceiros comerciais, mas também tenta evitar que as empresas consigam evadi-las, principalmente as chinesas.
Para combater esta prática, que consiste em fazer um produto transitar por um país para o qual as tarifas são menores, Trump prevê instaurar, a partir da quinta-feira, uma sobretaxa de 40%.
Esta medida não está destinada especificamente a um país, mas analistas acreditam que afetará sobretudo as empresas chinesas, muitas das quais fazem sua montagem final em outro país, como o Vietnã, para evitar a etiqueta "made in China".
Para Washington, trata-se de desenvolver cadeias de suprimentos menos dependentes da China, segundo os especialistas, em meio a tensões comerciais com Pequim.
"Trata-se um pouco mais do efeito de curto prazo de fortalecer o impacto das tarifas alfandegárias que de uma estratégia de desacoplamento" entre as duas maiores potências, explica Josh Lipsky, especialista do fórum Atlantic Council.
Visa a gerar preocupação suficiente para que os países optem por não evadi-las "porque sabem que Trump poderia aumentar novamente as tarifas", acrescentou.
A possibilidade de uma tarifa significativamente maior é uma "espada de Dâmocles perpétua nas negociações" com os países, avalia Richard Stern, especialista em impostos e orçamentos da conservadora Heritage Foundation.
- Suprimentos alternativos -
Desde a guerra comercial entre China e Estados Unidos, durante o primeiro mandato de Donald Trump (2017 a 2021), o Vietnã emergiu como o grande vencedor da reconfiguração das cadeias de suprimentos.
E o novo aumento das tensões entre Washington e Pequim, no começo do ano, levou a um aumento do desvio de produtos chineses, especialmente através do Vietnã, avalia o pesquisador da Brookings Institution Robin Brooks.
Segundo ele, as exportações chinesas para vários países do sudeste asiático tiveram um aumento "anormal" no começo do ano, quando Donald Trump ameaçava aumentar as tarifas.
É difícil determinar se estes produtos finalmente chegaram aos Estados Unidos, mas Brooks duvida da capacidade da demanda interna destes países de absorver um aumento tão pronunciado de produtos chineses.
"O objetivo desta sobretaxa em potencial é forçar o desenvolvimento de cadeias de suprimentos que prescindam da China", considera Willian Reinsch, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
"Ao mesmo tempo, trata-se de reduzir as possibilidades de vender o excesso de produção chinês e obrigá-los a absorvê-lo em seu mercado interno", acrescenta.
Para alcançar seus objetivos, Washington precisa da colaboração de outros países, o que fomenta com "esta penalização", considera Reinsch.
"A estratégia chinesa, que consiste em deslocalizar a montagem final em países como Vietnã ou México, que funcionou durante o primeiro mandato de Donald Trump, será mais difícil de executar a partir de agora", assinala Josh Lipsky.
- Resposta chinesa? -
Segundo ele, não seria surpreendente que Pequim se considerasse alvo desta sobretaxa "porque é o caso".
"O tema será ver como a China a integra em um contexto mais amplo de degelo das relações com os Estados Unidos nestes dois últimos meses", acrescentou.
Os dois países concordaram com uma trégua comercial, em virtude da qual reduziram suas tarifas respectivas a 10% para os produtos americanos e 30% para os chineses.
A trégua termina em 12 de agosto. As duas grandes economias negociam para estendê-la, mas a decisão final está nas mãos de Donald Trump.
Enquanto isso, será difícil determinar de onde provêm os produtos, avaliam analistas.
Caberá às alfândegas determinar se um produto foi importado de forma fraudulenta ou não, segundo o grau de transformação no último país de origem.
"Vai ser muito complicado, especialmente para os países que estão economicamente perto da China e se não houver meios adicionais para ajudar a administração das aduanas", antecipa William Reinsch.
M.O.Allen--AT