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Balanço de trágico incêndio em Johannesburgo sobe para 76 mortos
O trágico incêndio que destruiu um prédio em Johannesburgo na quinta-feira (31), deixou ao menos 76 mortos, de acordo com um novo balanço divulgado nesta sexta (1º) pelo governo sul-africano, que pediu às famílias das vítimas que fossem ao necrotério de Soweto para identificar os corpos.
"Contabilizamos 76 mortes, duas pessoas morreram no hospital", informou o ministro da Saúde, Joe Phaahla, aos jornalistas. Entre as vítimas, há pelo menos 12 crianças, comunicaram as autoridades anteriormente. Uma investigação foi aberta.
Do lado de fora do necrotério de Soweto, o diretor dos serviços forenses, Thembalethu Mpahlaza, observou que "de todos os corpos recolhidos, apenas 12 podem ser identificados por meios visuais".
Quanto aos outros, acrescentou, "será necessário um pouco mais de tempo para terminar a amostras de DNA".
Durante a manhã de sexta-feira, enquanto organizações distribuíam cobertores e roupas a mais de 100 sobreviventes em um abrigo, cães farejadores buscavam vítimas entre os escombros do edifício.
Muitos não conseguiram escapar, presos atrás de grades fechadas para impedir a entrada de criminosos.
A tragédia evidenciou a crise habitacional no centro da capital econômica da África do Sul.
Também relançou o debate sobre os prédios abandonados, que caem nas mãos de proprietários inescrupulosos e de grupos mafiosos, que os alugam principalmente para migrantes, ou para sul-africanos muito pobres.
- Drama 'previsível' -
O centro da antiga "cidade do ouro", um opulento bairro de negócios na época do Apartheid, tem cerca de mil edifícios desse tipo, segundo as autoridades, desconectados da rede elétrica, nos quais as pessoas se aquecem, cozinham e se iluminam com gás, ou parafina.
Em uma visita ao local da tragédia na noite de quinta-feira, o presidente Cyril Ramaphosa prometeu "abordar a questão da habitação" nos centros das cidades.
O prédio pertencia à prefeitura e era, inclusive, classificado como patrimônio.
Sob o Apartheid, os sul-africanos negros iam para lá obter seus "passes", famosos documentos que lhes permitiam acesso a áreas brancas para trabalhar. Usado pela última vez como abrigo para mulheres agredidas, foi "invadido e sequestrado" nos últimos anos, de acordo com as autoridades locais.
Infelizmente, este drama era "previsível", afirma Mervyn Cirota, vereador da oposição.
"Muitos desses prédios são controlados por quadrilhas que alugam os espaços, causando superlotação. Não há banheiros, nem água, nem luz", alerta.
Os sul-africanos se referem a esses prédios como "sequestrados". A polícia se recusa a entrar neles sem motivo convincente. São áreas sem direitos, onde vivem desempregados, famílias, criminosos, ou migrantes em situação clandestina.
No final do Apartheid, há três décadas, o população branca e rica abandonou o centro para se refugiar atrás de muros altos e de cercas elétricas.
Os negros, que chegavam em massa do campo em busca de trabalho, começaram a ocupar os prédios vazios.
Este êxodo econômico aumenta a pressão sobre um setor habitacional em crise. O país de quase 60 milhões de habitantes carece de 3,7 milhões de moradias, segundo Centro de Financiamento da Habitação Acessível na África (CAHF).
Nestes edifícios, "trata-se do crime organizado. Estas pessoas conhecem as leis e têm uma rede. Alguns obtêm documentos de propriedade em boa e devida forma", disse o porta-voz da brigada contra o crime, Lucky Sindane.
As autoridades fazem operações esporádicas para recuperar a posse desses "paraísos do crime", explica, descrevendo as armas e a quantidade de drogas descobertas no local.
Brigadas municipais, polícia e, por vezes, agentes de segurança privada chamados "Formigas Vermelhas" – firmas especializadas na expulsão de "invasores clandestinos" – desembarcam em grande número, armados até aos dentes, e são conhecidos por sua violência.
H.Romero--AT