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Morre aos 80 anos a lenda do country Dolly Parton
A lenda americana da música country Dolly Parton, que se tornou conhecida mundialmente por sucessos como "Jolene" e "Coat of Many Colors", morreu, aos 80 anos, informou sua família nesta terça-feira (25).
"Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus", diz seu sobrinho Bryan Seaver em um vídeo publicado nas redes sociais, no qual destaca que a artista "abriu portas para gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todas as origens".
A família não informou a causa da morte, mas a cantora havia mencionado problemas de saúde recentes. Seu marido, Carl Dean, morreu no ano passado.
O presidente americano, Donald Trump, lamentou "uma perda verdadeira para milhões de pessoas". Ele ordenou que as bandeiras sejam hasteadas a meio pau durante uma semana.
Dolly havia anunciado em maio o cancelamento de uma série de shows em Las Vegas por motivo de saúde. Em suas redes sociais, disse que, embora o tratamento para uma doença não especificada estivesse evoluindo bem, ainda não estava pronta para se apresentar.
Além de cantora e compositora, Dolly também foi atriz, filantropa e empresária de sucesso.
- Carreira prolífica -
Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Sevierville, Tennessee. Era a quarta de 12 filhos e cresceu na pobreza. "Nunca passamos fome, mas às vezes não tínhamos o suficiente para comer", contou.
Desde pequena, Dolly mostrou amor pela música. Após se formar na escola, mudou-se para a capital do country, Nashville.
Em 1967, com 21 anos, já era um dos nomes mais conhecidos da música americana, graças ao programa de TV de Porter Wagoner, que levou seu rosto e sua voz para milhões de lares dos Estados Unidos.
Sua carreira prolífica se estendeu por seis décadas, período em que compôs cerca de 3 mil músicas, incluindo a icônica balada "I Will Always Love You", que se tornou um sucesso internacional na voz de Whitney Houston.
A atriz Jane Fonda disse estar "devastada" com a morte de sua colega de elenco no filme "Como Eliminar Seu Chefe", do qual Dolly também interpretou a trilha sonora. "Sei que milhões estão de luto, e quero dizer o seguinte: mais do que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido, Dolly sempre estará conosco", publicou no Instagram.
Com 49 álbuns de estúdio, 100 milhões de discos vendidos e mais de 100 álbuns de coletâneas e colaborações, Dolly ganhou o título de "rainha da música country". Ela conquistou 10 prêmios Grammy e 13 da Academia da Música Country.
Dolly também contribuiu de forma decisiva para definir a forma como as mulheres podem forjar sua imagem em uma indústria predominantemente masculina. Sua beleza e seus penteados e adereços ajudaram a criar sua lenda.
À sua maneira, a cantora também combateu o machismo: sem violência, aproveitando seu lado caloroso e seu tino para os negócios para construir uma das maiores fortunas da cena musical americana. "Você não tem que se parecer com os outros. Não precisa ter uma beleza deslumbrante para ser especial", afirmava.
- União -
A morte de Dolly uniu por um momento um país profundamente dividido. Americanos de todo o espectro político compartilharam o luto, elogiando a música, filantropia e o trabalho da artista no cinema.
"Nunca houve nem haverá alguém como ela", publicou Trump na rede Truth Social. Já o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, disse que Dolly era "uma defensora insubstituível da classe trabalhadora".
Dolly não se prendeu à orientação tradicionalmente conservadora do gênero country e deixou sua marca em muitos debates da sociedade, usando sua franqueza e seu humor para amenizar a tensão quando necessário.
"Somos todos filhos de Deus", disse a cantora em 2016 ao apresentador de TV Larry King, sobre seu apoio à comunidade LGBT. Quatro anos depois, doou US$ 1 milhão para a Universidade Vanderbilt, que contribuiu para o desenvolvimento da vacina contra a covid-19.
O programa de incentivo à leitura da artista doou cerca de 100 milhões de livros para crianças carentes em todo o mundo.
D.Lopez--AT