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Rússia emite ordem de busca internacional contra CEO do Telegram por 'cumplicidade com terrorismo'
O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia anunciou nesta quarta-feira (29) que emitiu uma ordem de busca internacional contra o fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, a quem acusa de "cumplicidade com terrorismo". Moscou afirma que o aplicativo de mensagens é utilizado pelos Serviços de Segurança da Ucrânia com fins de recrutamento.
Nascido na Rússia e titular de passaportes da França e dos Emirados Árabes Unidos, Durov, de 41 anos, é processado na França desde 2024, acusado de não atuar contra a disseminação de conteúdos criminosos no Telegram.
Na Rússia, o serviço de mensagens é um dos mais populares, utilizado tanto por cidadãos comuns como pelos serviços públicos, incluindo o Kremlin, os principais ministérios e as forças de segurança.
"Uma ordem de busca internacional foi emitida (...) contra o CEO do Telegram, P. Durov", informou o FSB em um comunicado, sem explicar a natureza da ordem nem se outros países a aceitariam.
Durov enfrenta na Rússia acusações de "cumplicidade com terrorismo" no âmbito de "uma investigação criminal" sobre o treinamento de jovens russos pelos serviços secretos ucranianos em atividades de sabotagem.
Procurados pela AFP após o anúncio, os advogados franceses do empresário não se pronunciaram até o momento.
O FSB acusa o Telegram de não ter eliminado um 'bot' de encontros que, segundo as autoridades, a inteligência ucraniana utilizava para envolver homens russos "em atividades terroristas e de sabotagem".
Segundo o comunicado, 46 cidadãos com idades entre 12 e 22 anos que utilizaram o 'bot' Leo Match, proibido na Rússia, foram detidos desde julho de 2025 em diversas regiões do país por agressão a membros das forças de segurança e por atos contra infraestruturas de energia e de transporte.
Todos foram contactados com o uso da ferramenta tecnológica por agentes de inteligência ucranianos que se faziam passar por garotas jovens com o objetivo de chantageá-los posteriormente, explicou o FSB.
- Restrições -
A Rússia, que iniciou uma ofensiva na Ucrânia em fevereiro de 2022, impõe restrições digitais sem precedentes em seu território, que também afetam o aplicativo WhatsApp.
Os aplicativos de mensagens são acusados de serem utilizados pelos serviços ucranianos contra a segurança do país.
Durov é um libertário declarado, paladino da confidencialidade na internet, mas polêmico por sua recusa a implementar qualquer tipo de moderação no Telegram, que ele cofundou em 2013.
As autoridades russas tentaram bloquear o app em 2018, mas recuaram na medida.
Durov, naturalizado francês em 2021, foi detido em agosto de 2024 na região de Paris ao desembarcar de um avião e foi indiciado neste país por uma série de delitos relacionados ao crime organizado.
A Justiça francesa o acusa, em linhas gerais, de não ter adotado medidas contra a divulgação de conteúdos ilícitos em sua plataforma de mensagens e proibiu que ele deixe o país sem autorização.
Além de uma fiança de 5 milhões de euros, seu controle judicial inicialmente o proibiu de viajar e o obrigava a se apresentar a cada duas semanas em uma delegacia, mas ele obteve uma flexibilização das restrições em 2025.
Em um primeiro momento, ele conseguiu a suspensão das medidas que o impediam de viajar, o que lhe permitiu seguir para Dubai, onde se estabeleceu e, depois, em uma segunda fase, obteve a eliminação da obrigação de se apresentar na delegacia de Nice (sudeste da França), o que significa que não é mais obrigado a voltar à França a cada 14 dias.
Ele anunciou em sua conta no Telegram que se mudou para a Geórgia, uma ex-república soviética do Cáucaso.
F.Wilson--AT